Meus fantasmas

Devem ser os que amei ou que me amaram vida afora.

São os meus fantasmas.

Os que, de alguma forma, me liguei algum dia.

Porque os sinto hoje como fantasmas, sinto medo.

 

Mas também sei que, um dia, foram pessoas amadas

e não tenho porque deixá-las hoje.

Estivemos juntas em um tempo qualquer.

Bem sei.

Aliás, bem sabemos. Eu e meus fantasmas.

Tenho que sentar com eles.

Tenho de recebê-los, falar com eles,

saber como estão e contar de mim.

Mas, às vezes, tenho medo.

E, se eu sair do quarto, olhar na sala

e ver um alguém sentado no sofá,

vou ter de me conter demais

pra não ser um susto e não gritar

ou emitir sons de desassossego.

Preciso me acostumar com meus fantasmas.

Sem gritar, sem me assustar, sem qualquer reação.

Até porque sei que eles estão e ficarão aí.

Sempre estiveram comigo.

Caminharão por onde caminho e seguirão por onde estou.

Boa estada, meus fantasmas!

Juntos estaremos sempre, com certeza!

Falaremos no decorrer dos tempos.

E, dos tempos que percorremos, falaremos.

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2 pensamentos sobre “Meus fantasmas

  1. Não sei se você leu o primeiro livrinho que meu pai publicou, já faz muito tempo: “Manual para aprendiz de fantasmas”.
    Uma verdadeira delícia.
    Se ele não enviou a você, diga-me que vou providenciar (acho que ainda há alguns no estoque).
    Eu não saberia viver sem meus fantasmas…

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