Lembrando Bob!

 

ADEUS, BOB!

Meu querido amiguinho e companheiro, nem posso chamar de bichinho de estimação, pois era muito mais que isso. Hoje você se foi. Logo pela manhã, antes de 11 horas, da forma mais idiota e nunca esperada. Um carro, passando, o atropelou.

Você voltava de sua ida de todas as manhãs à praça, onde fazia suas necessidades físicas. Sempre foi e sempre voltou. Lógico que nem sempre prestava atenção aos carros que vinham, mas ia e voltava todos os dias. Hoje não conseguiu retornar até em casa. Um carro passou distraído, nem estava correndo e lhe bateu de forma indevida na cabeça. Ouvi seu pequeno grito de socorro, que nem foi alto. E saí correndo pra pegá-lo. Peguei no colo e você, até por instinto, me deu pequena mordida. Coloquei-o na porta da sala e saí correndo pra achar veterinário perto. Achei e saí correndo. Você lá chegou com olhos mortiços e ao primeiro olhar do médico já disse que teve comoção cerebral. E estava sem reflexos. Tomou 3 injeções na veia pra tentar reanimar e não juntar líquido no cérebro. Uma agulha de acupuntura no focinho pra ajudar. Massagens no coração para reanimar. Coloquei a mão em sua cabecinha e a senti esfriando, sua língua de fora já azulando e… nenhuma reação. Falei ao médico, desejando estar errada: – ele não conseguiu! Está morto! Ele confirmou, lamentando.

Oh, querido, que dor! Que dor profunda e doída! Eu sabia que o amava muito. Sempre falei isso. Sempre disse que se um dia você morresse eu ia sentir muito. Mas nunca pensei que a dor seria tão grande e funda!

A vida toda tive cachorros em casa. A primeira que comprei pras minhas filhas pequenas, se chamou  Pipoca. Viveu quase 14 anos em casa, teve crias, deu-me trabalho, machucou-se muitas vezes, fez cesariana na última cria, usou “muleta”, enfim, uma cadela terrível e amada. Morreu de câncer, sofreu muito e a cuidei até o fim. Os outros todos que tive, lógico que gostava, lógico que os cuidava.

Mas você – Bob – foi muito especial.

Não sei explicar e nem posso. Você era um da família. Meu companheirinho inseparável. Onde eu ia, você também. Dormia sob minha cama enquanto eu deitada.  Ficava no seu travesseiro ao meu lado no sofá. Festejava minha chegada em casa a cada vez, mesmo que eu tivesse saído um pouco antes. Parecia sempre estar festejando minha volta depois de anos de ausência.

Sempre imaginei que você morreria, até, mas de velho, ao meu lado. Nunca, jamais, da forma como aconteceu. Sabe querido, foram segundos, minutos e você já não estava mais. Nunca eu havia chorado por um animalzinho de casa. Aliás, achava estranho entrar em tristeza profunda pela perda de um. Você pode imaginar que eu era assim? Não! Com certeza você nem imaginava que eu pudesse falar isso. Foi sempre tão companheiro, tão amigo, tão carinhoso! Sei que também o fui com você. Eu não queria, de forma nenhuma, perdê-lo como o perdi. Ficou um buraco em meu coração. A cada vez que penso e me lembro de você morrendo, sem que eu pudesse fazer nada, me machuco e choro. O cara que passou no carro e lhe atropelou, nem sabe a dor que causou. Nem me importa saber quem foi. Só o que me importa é que você não está mais aqui.

E isto me faz muito mal! Muito mais do que eu queria ou podia imaginar.

Você ficará indelével em minhas lembranças, sempre. Foi querido, foi amado, foi cuidado. Só não posso me conformar que se tenha ido assim, tão rápido, tão de repente, tão idiotamente. Não podia nem devia ser assim. Você era parte de minha casa. Você era um pedaço de nós todos que estamos aqui.

Estou triste… muito triste! Choro por você e sua falta. Espero que não tenha nem tido consciência de sofrimento pra morrer. Quero que esteja bem do lado de lá. E eu preciso acreditar que tenha um lado de lá! Inclusive pra você, amigo querido! Vou sentir sua falta por um bom e longo tempo, quiçá pra sempre.

Você era você. O Bob de minha casa. Se for verdade que existe um lado de lá, você vê que estou muito triste, que chorei o dia todo, como nunca chorei por nenhum animalzinho em casa. Sabe o quanto era amado e querido aqui.  Sabe o quanto estamos sentidos. Você sabe tudo!

A avó está sentindo sua falta. O Tô chora de seu jeito. Aliás, você sabe deles até melhor do que eu. Sempre defendeu a avó, chegando até a morder o sofá rosnando bravo quando alguém fingia que a atacava. E eu ficava tão brava quando ela lhe dava comida no chão do quarto! Mas era só pra por ordem no ambiente. Entenda, querido! E hoje eu queria tanto você aqui!

Acho que sempre as coisas acontecem por algum motivo. E, quem sabe, você se foi pra eu aprender mais um. Que não adianta a gente ficar se alterando por tudo e achando que o racionalismo é o que realmente vale.

Eu, que sempre falo que o dinheiro é o mais importante, querido, hoje – se o cara que o matou voltasse pra perguntar qualquer coisa, eu ia querer que ele pudesse tirar a dor que estou sentindo!

E isso não tem preço! Eu tinha de aprender mais isso! Mas o valor foi perder você! Já nem sei o que é válido nesse mundo! Esteja em paz, amiguinho querido! Saiba que nós nos lembraremos de você com amor e carinho. Esteja conosco, se assim for possível. Eu estou só tentando crer que há um Deus justo e que tudo acontece por um motivo. E porque não há coincidências. Na verdade, amiguinho querido, estou tentando crer! Estou, novamente, desesperadamente tentado crer!

E sua falta e a forma como se foi dói tanto, que é difícil! Ajude, se for possível! Você foi tão companheiro e compreensivo sempre, até quando eu me esquecia de comprar sua comida! Você se contentava com alguns biscoitos e esperava pelo dia seguinte.E sabia que eu lhe traria o que precisava. E sabia que – de uma forma ou de outra – sempre teria o que gostava.

Eu te amava, querido cãozinho!

Adeus, Bob!

Hoje tivemos de nos despedir. Você não estará mais aqui. Eu não estarei mais com você. Dói e dói muito. Não sei como você está do lado de lá, se é que existe. Do lado de cá estou muito e muito triste. Todos nós estamos muito tristes. Aceite nossos carinhos e amor. Lembramos, de cá, sua forma de carinho, ternura e amor que sempre deu.

Adeus, Bob, querido! Adeus!

Até qualquer dia desses, até lá!

(21/3/05)

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2 pensamentos sobre “Lembrando Bob!

  1. Linda e comovente crónica sobre seu Bob, agora eu sei porque nunca quis ter um cachorro, iria
    sofrer também se acontecesse alguma coisa com ele.
    Mas a vida é assim, temos que nos conformar.
    Lembre- se do seu cão mas com alegria dos bons momentos.
    Um abraço apertado e reconfortante. Bjs

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