Noite

Noite que todos os poetas citaram, que todos um dia tentam definir.

O que é a noite?

Ausência da luz solar, provocando um céu mais sério, salpicado de olhos faiscantes?

Não. Noite é muito mais, envolta em seus mistérios. Em minha alma boêmia, a noite é o despertar real.

Noite, palco imóvel de uma solidão que existe quase generalizada. Noite, companheira fiel e silenciosa das almas boêmias e poetas. Noite, um foco de luz que projeta sombras na suave compensação da existência. Noite, que me faz recordar um passado que sempre estará presente.

Que saudade sinto dos amigos que comigo partilharam noites repletas de poesia, música, sonhos e nostalgia! Que desejo de amor entranhado, quando esta amiga surge em seu ápice para fazer-me companhia!

Não consigo compreender a lógica de que a noite vem pra descansar-nos no sono dos sonhos. Isto não pode ser, se ela é amor com todo seu euforismo, é mistério com todas as suas sombras, é amizade com todo seu silêncio.

O dia é a vida do corpo, mas como não existe outro tempo em que se deve repousar, se a noite ampla e carinhosa é a única vida da alma?

(17/7/65)

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