Para ser livre

Eu não sei ser livre!

Ninguém nos ensinou a sermos seres livres. Desde que nascemos, somos inseridos nas tramas e teias familiares, vivendo limitados pelos pré-acordos inconscientes que fizemos como garantia de nossa “estadia na linhagem familiar”. Para termos o direito de pertencer, fomos “obrigados” a aceitar valores e condições que nos foram impostos, que nos estreitam a vida. Não temos a permissão de brilhar, nem de sermos quem somos de verdade e nem de nos realizarmos a partir da expressão de nossa alma. Se fizermos isso, traremos desconforto e abalo à nossa teia familiar e isso nos custaria a “exclusão” (energética ou real). Para cumprirmos com esse padrão, sem burlarmos as regras, precisamos frear os impulsos de nossa alma que nos levam sempre a desejar e buscar a realização plena. Esses impulsos são naturais e nos fazem brilhar intensamente. Ao longo de nossa vida, fomos percebendo que esse brilho nos causava “problemas” e precisamos encontrar meios de bloqueá-lo; e criamos situações que nos impedissem de expressar essa força da alma e começamos a criar conexões com as pessoas de forma a que tivéssemos problemas e que as mesmas passassem a nos interditar, nos “roubar”, nos ofuscar o brilho, nos manipular, enfim, criamos interações altamente destrutivas com as pessoas, somente para que não pudéssemos nos expressar com tamanha força e brilho.

Porém, alguns de nós, por sentirmos um forte anseio pela reconexão com a Consciência Divina e o retorno ao caminho de nossa essência, passamos a buscar recursos que nos levem a essa conexão. Assim, seja pelas leituras de materiais de auto-ajuda, seja através de terapias variadas, vamos caminhando, seguindo o chamado de nosso coração, por pura intuição ou pela dor. Com isso, passamos a compreender melhor as nossas ligações e dinâmicas ocultas com as pessoas, começamos a tomar consciência da realidade, desconstruindo nossas ilusões. Isto nos leva a buscar meios de romper, dissolver e definir e encerrar, energética e espiritualmente, todas as nossas conexões destrutivas. Isso tudo acontece como um processo, não existe mágica, mas um caminho contínuo.

Em determinado momento desse percurso divino, percebemos que já nos libertamos de muitas amarras, de muitas relações conflituosas e negativas, percebemos que já não estamos mais presos aos velhos jogos e disputas de poder e que já não precisamos mais que determinadas situações ou pessoas ainda façam seus papéis de carrascos e de bloqueios; internamente, já dissemos um “não” a essas amarras e buscamos firmemente a libertação.

Assim, dentro daquele contexto que estamos trabalhando em nós, finalmente nos libertamos e estamos prontos para darmos novos passos, rumo às mudanças reais pertinentes a esse contexto. Agora é uma questão de tempo para que tudo se acomode dentro de nós, para que possamos organizar e equalizar nossa energia com o novo nível de consciência que alcançamos. Podemos respirar livremente, sentindo-nos em paz, serenos, tranquilos, confiantes de que um novo momento está à nossa espera. Não nos “movimentamos” neste período, apenas absorvemos as novas energias. É tudo muito novo para nós, ainda não sabemos exatamente o que queremos, e o que e como faremos, não sabemos como dar os primeiros passos. Este saber está dentro de nós e aflorará naturalmente após este período de acomodação das novas energias. Ao aflorar, esta sabedoria interior nos impulsionará e nos conduzirá naturalmente. É um momento “mágico”, experimentamos sensações maravilhosas, a paz invade nosso coração.

Então, esse período termina e os impulsos começam a se manifestar. Mas nada acontece… começamos a sentir uma estagnação tomar conta de nós, nos sentimos letárgicos, não nos sentimos mas ansiosos, mas alheios, em “outro lugar”, que não aqui e agora. É bom sentirmos tudo isso, mas não conseguimos, ou melhor, parece que não queremos sair disso, não queremos ir além, parece que tudo o que sempre desejamos tanto e sofremos por não conseguirmos, agora nos parece algo distante de nossa realidade, não sentimos mais o mesmo desejo, parece que “tanto faz” termos isso ou não. Ficamos indiferentes e até preguiçosos. Passamos tanto tempo lutando e sofrendo, que viver esse momento de paz, faz com que desejemos ficar ali para sempre. Nossa mente está programada para o conflito e quando atinge um estado de paz e se deixa ficar ali, ela começa a gostar demais desse lugar e, como pensa que fora isso tudo é conflito e dor, então, ela prefere não sair mais dali, mesmo que isso lhe cause frustração por não estar realizando seus desejos, ela ainda acredita que fora desse estado de paz, qualquer passo que venhamos a dar, nos conduzirá novamente ao conflito, luta e dor. Então, ela “empaca” e se torna indiferente a tudo. Isto é ruim porque não há movimento, mas é bom, porque a mente começou a descobrir que existe a paz e começou a gostar dela, e isto quer dizer que, mesmo que a mente volte a criar conflitos, ela agora sabe que a paz é maravilhosa e vai desejar voltar a esse estado mais vezes e isso fará com que aos poucos essa seja a realidade para a mente: a paz, mas com movimentos e buscas.

Existe também a questão da liberdade que nos foi “tirada” e nunca aprendemos a sermos seres livres. Afinal, como é ser livre? A liberdade está em nossas mãos e nada fazemos com ela, não houve esse aprendizado. Aprendemos a sermos prisioneiros das limitações, isso sim, sabemos fazer com propriedade. Se compreendermos que a liberdade é algo novo e que ainda temos medo de sermos livres (ainda acreditamos que seremos punidos com a rejeição e exclusão), poderemos aceitar esse momento e “não fazermos nada”, mas com o desejo de encontrarmos condições internas para começarmos a acreditar e aceitar que a liberdade é nossa de direito e que é a nossa realidade divina. Não fazendo nada contra esse momento, não estaremos nos sentindo prisioneiros buscando a fuga e nem estaremos nos sentindo livres. Mas a liberdade já está ali, “instalada em nós”. Aguardar é a palavra de ordem. Precisamos desaprender os padrões de limitações e aprisionamento; estaremos livres, mas sem usufruir dessa liberdade, pois somente quando desaprendermos os padrões de limitações ficaremos livres dessas conexões neuronais que são extremamente fortes em nosso cérebro. Quando deixamos de “usar” um modelo de comportamento, ele tende a enfraquecer e a deixar de existir. Assim, não existindo esse modelo, com a liberdade à nossa disposição e com o impulso de nossa alma que clama por liberdade e expressão, naturalmente iremos dar os primeiros passos rumo à liberdade, criando um novo modelo de comportamento e atitudes saudáveis, fazendo com que novas conexões neuronais, relacionadas ao modelo de liberdade sejam estabelecidas. Quanto mais “usarmos” esse novo modelo, mais fortaleceremos nossas conexões, criando assim um novo padrão, sem medo da liberdade!

por Teresa Cristina Pascotto – crispascotto@hotmail.com

Anúncios

3 pensamentos sobre “Para ser livre

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s