Arquivo | outubro 2012

Só quero viver!

Esse enorme medo da morte!

Quanta ânsia de vida me devora.

Não quero ir tão logo assim.

Não sei o que há depois e a dúvida me amarga.

Também não importa se há o depois.

Vale-me não querer deixar o agora.

Não perder a ansiedade, não deixar o sorriso,

não abandonar o amor, não terminar a vida.

Não quero ir assim tão rápido.

Quero ficar até que nada seja tão doce,

que  algo não seja tão amargo, até que tudo seja quase nada.

E agora nada é ainda tão tudo!

Uma bolha de sabão – pluf!

Não posso aceitar isso.

Sei sorrir, sei amar, sei vibrar, sei chorar.

Não posso  parar com tudo.

E quanto medo dessa inércia que se aproxima inevitável.

Não posso reter ou conter. É encontro marcado.

Lá chegaremos, mesmo que eu fuja.

Quero ficar um pouco mais, me dar e usufruir mais um tempo.

Não quero o encontro tão cedo.

Só eu sei quão cedo tudo ocorreu em mim.

Até a inércia está sendo cedo.

E quero tanto viver e não encontrar a frieza que me espera.

Não me esqueçam aqueles que amei.

Não me deixem aqueles que choro deixar.

Não me enterrem. Joguem o pó sobre o mundo.

Uma partícula será flor, outra será pedra,

outra ainda será nuvem, outra a ave engolirá,

outra será parte da areia do mar,

outra…não sei… será o que for quando eu já não serei.

Joguem o pó no ar e……. estarei de mil formas

com vocês que amo tanto.

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Amor

“Pessoas sábias são amorosas com todos.

Elas têm, acima de tudo, amor.

Nos dias de hoje, amor é a coisa mais importante.

Esqueça, perdoe e não tenha o sentimento de não gostar de alguém.

Não sinta coisas ruins nem por quem fala mal ou não gosta de você, não carregue nenhum fardo.

Seja como um oceano de amor.”

 

Brahma Kumaris

Entre uma nuvem e uma pedra

Tinha em minha sala um quadro que mandei colocar moldura em aço escovado e vidro, de autoria de um artista japonês que não me lembro mais o nome contendo, o desenho meio em sépia, uma grande pedra plantada na terra e uma nuvem passando no céu. Eu gostava muito desse quadro e ninguém entendia bem o porquê. Também nunca me dei muito ao trabalho de explicar meus gostos. Um dia, por um lapso qualquer, desancou da parede e o vidro se espatifou e a moldura se soltou toda. Tenho até hoje a gravura enrolada aguardando por novo enquadramento que ainda não me animei. Lembro que ficava muitas vezes olhando o quadro, perdida em pensamentos, o que é muito usual em mim – perder-me em pensamentos, sonhar acordada, desligar do ambiente e viver outras paragens em solitude total. Ouvi muitas vezes que só eu compraria uma gravura assim… Tudo isto tem muito tempo, mas fui buscar lá algo que tinha escrito a respeito da nuvem e da pedra, talvez numa tentativa de justificar meu gosto meio extravagante.

Entre uma nuvem e uma pedra: eu.

Entre brumas, um pássaro voando livre, uma fumaça solta no ar.

Só amor, só vida, só anseio.

Uma nuvem que o vento empurra, que os segundos alteram,

que as formas se alternam.

Compacta e leve como só uma nuvem.

Etérea, solta, sem rumo, densidade só aparente,

oscilando no espaço, levada na brisa.

Tão doce, tão macia, tão nuvem.

E a pedra seca, estática, observando tantas nuances.

Altiva em sua fortaleza, quase permanente em sua mutação.

Quase um nariz erguido, uma pose segura e altiva.

O tempo e o vento transformarão tudo.

Fará pó e levará a nuvem.

Quem ou o que será mais real?

Tanta matéria ou tanta forma efêmera?

A ave que é vida acompanhando em voo a nuvem descansará seu ninho

e capacidade de reprodução na pedra.

O homem passará e em devaneios se perderá olhando a nuvem,

descansando sua cabeça na pedra.

A nuvem, chuva em formação, molhará a pedra e a desgastará.

E a peça inerte, lenta em alteração chegará nunca a se verter na nuvem.

Será só fixação, pose altiva.

Entre a nuvem e a pedra: eu.

Olhando a nuvem, vendo a pedra.

Sem definição, sem enquadramento. Só eu.

Nem nuvem nem pedra. Só nuvem só pedra.

Um pássaro no espaço livre.

No meio olhando, no alto acompanhando, na pedra tecendo ninho,

no mundo tecendo espaço, amando, vivendo, sorrindo, chorando.

Sendo nuvem em mutações, pedra em necessidade,

fumaça na formação, pássaro na ansiedade, vida na integridade.

Eu no meio sendo vida na  na essência, sendo alento na efemeridade,

sendo amor no espaço, sendo espaço na vida.

Entre uma nuvem e uma pedra: eu.

“É a vida!”

Quero iniciar esse domingo lindo, de sol que abrasa, falando da VIDA. E quem melhor falaria sobre ela, muito próximo de minha maneira de pensar, do que o Edson Marques, autor que já apresentei aqui neste blog (MUDE)?  Um real Paritosh Keval, (título indiano = Alegria em Solitude), que esbanja sua condição de sannyasin (pessoa em constante estado de alerta). Essas questões indianas são difíceis para explicar, então tentei dar só uma sintetizada para não alongar. Já comentei que seus escritos e comentários têm um bordão muito utilizado… “É A VIDA”,  que acho de uma colocação ímpar para qualquer que seja a manifestação.

“Você pode perguntar-me se eu sei o que estou fazendoVocê pode e deve questionar a real necessidade que tenho de fazer o que faço, e da forma que escolho. E só você decide se vai ou não participar desses momentos da minha vida que estou disposto a repartir.

O que você não poderá nunca,sob pena de me anular , é impedir-me de querer o que quero para mim, nem  de fazer o que faço comigo. É a vida , meu amor. E coincidentemente é a minha!!!

A Vida existe na transformação : eu agora já sou outro, a energia é outra , a vibração é outra. Eu não sou aquele mesmo, sou outro. Aquele que eu era morreu:os outros “eus” que eu fui, foram todos morrendo pelo caminho, e a cada um que morre, nasce um novo, a cada novo que nasce,nasce de novo um novo novo,e assim por diante. 

Eu nunca me reformo, eu me transformo.Eu não me conformo, eu me transformo .

Sempre sou eu, e sempre serei outro.

Eu tenho que ser verdadeiro comigo mesmo, primeiro. Eu tenho que ser honesto comigo mesmo primeiro. Tenho que ver meus limites reais,e não mais me propor tarefas hercúleas, consumidoras da minha alma, tarefas que estejam não só além dos meus limites mas às vezes além dos meus desejos, além do ponto em que desejo parar, além do ponto em que não quero ou não posso passar.

Ou além do ponto de onde não mais posso voltar.”

(Edson Marques) – “Manual da Separação”

 

Filosofia Osho

Acho que todos já leram algo escrito traduzindo a filosofia de Osho, um indiano forte, claro pensador, que circulou pela terra deixando focos de luz . Captei um trecho sobre o trabalho dele e aqui coloco a título só de uma pausa para reflexão. Se ainda não o fez, tendo oportunidade veja livros dele. Com certeza vai encontrar uma fonte de inspiração para tentar entender a vida sem complicações, com mais simplicidade.

No seu trabalho, Osho falou praticamente sobre todos os aspectos do desenvolvimento da consciência humana. Seus discursos para discípulos e buscadores de todo o mundo foram publicados em mais de seiscentos e cinqüenta títulos e traduzidos para mais de trinta línguas.

Ele diz: “Minha mensagem não é uma doutrina, não é uma filosofia. Minha mensagem é uma certa alquimia, uma ciência da transformação; assim, somente aqueles que estão dispostos a morrer como são e a renascer em algo tão novo que agora nem podem imaginar, somente essas poucas pessoas corajosas estarão prontas a me ouvir, porque isto será perigoso. Ouvindo, você dá o primeiro passo em direção ao renascimento. Por isso, a minha mensagem não é uma simples comunicação verbal. Ela é muito mais perigosa. Ela é nada menos do que a morte e o renascimento.”

Todo o trabalho de Osho é de desconstrução e silêncio. Desconstrução de dogmas arcaicos e amarras psicológicas que aprisionam e limitam o ser humano. Segundo Osho, todo o planeta (com raras exceções) está doente. Mas é uma doença auto-imposta. Liberdade é o fundamento de um homem auto-realizado e digno. O Silêncio, por sua vez é a comunhão da criatura com sua essência divina e pura. O silêncio é reencontrado pela meditação, onde o homem experimenta seu verdadeiro ser.

De Sigmund Freud a Chuang Tzu, de George Gurdjieff a Buda, de Jesus Cristo a Rabindranath Tagore, Osho extraiu de cada um a essência do que é significativo na busca espiritual do homem, baseando-se não apenas na compreensão intelectual, mas sim na sua própria experiência existencial.

Os seus discípulos garantem que, depois de expulso dos Estados Unidos, Osho não conseguiu qualquer visto para permanência nos países que visitou após o incidente, devido a pressões norte-americanas. Alegam que nenhuma das acusações feitas tem consistência objetiva – fruto apenas do temor e ódio das instituições representadas pelo governo norte-americano, referem os seus discípulos.

Deixou o seguinte epitáfio: “OSHO.. Nunca nasceu…nunca morreu…apenas visitou este planeta Terra entre 1931 e 1990”.

Fim de tarde

Cai a tarde em Piracicaba.

Lânguida, mansa, devagar.

O sol se esconde e a noite vem chegando.

Mais um dia se foi.

Quente, tranquilo, sem alterações.

Já não se vê o sol.

Mas o céu ainda é azul claro,

começando suas nuances cinzas, róseas, violáceas.

Assisto mais um fim de tarde

nesta cidade que aprendi a amar.

Ouço os pássaros se recolhendo.

Uns piam longamente. Outros intercalados.

Pressinto cada um chegando ao seu ninho.

Se não vejo, imagino suas casinhas.

E os percebo em retorno

ao pedaço que cada um constrói.

Sinto-me solta e em casa.

Vivo e convivo com eles e a natureza.

Posto-me aqui ouvindo, vendo e sentindo.

Estou no espaço, no mundo, na energia.

Sou energia. Sou mundo. Sou espaço.

Misturo-me aos pássaros, vibro em suas asas e pios,

existo neste mundo grande de Deus.

Amor chuva de verão

Vem o amor em mim.

Amor de chuva de verão.

Surge de repente,

é forte, impetuoso, vibrante, indomável,

mas já sei que se vai como o vento que o trouxe.

Sou assim feita de amor.

Amores de chuva de verão

que me propulsionam viver.

E vivo intensamente o amor.

Mesmo que ninguém saiba ou note.

Mesmo que o amorteça e viva-o só na imaginação.

É quase um amor adolescente, que se mantém dele mesmo.

Talvez seja isso o que sinto. Amor pelo próprio amor.