Educando para a vida

Fico revendo escritos anteriores, de anos atrás, e me dou com comentários que fiz com relação à educação de crianças. Sempre me preocupei em manter uma relação de diálogo e compreensão com as meninas quando eram pequenas ou ainda em idade de receber educação. Depois veio mais um para completar essa minha missão (?) de criar e orientar. E, como sempre fui muito sem disciplina e não seguidora de regras, foi muito complicado cumprir a questão de educadora.

Há anos, diziam pra mim que quem educa tem de manter rígidas condutas, de forma a realmente dar orientação. Meu Deus, como fazer pra conseguir?

Uma vez, me lembro, uma criança tinha um prato à frente com algo que não queria comer. E eu ali, num impasse. Por que não se pode comer o que quer na hora que quer?  Aliás, penso assim com relação à maioria dos fatos. Sempre acho que as pessoas têm em si discernimento suficiente para saber o que deve ou não fazer. Se errar, o que é óbvio que pode acontecer, será um aprendizado. Ou não? Desde pequenos todos deveriam aprender que existe o livre arbítrio.

Meus conceitos são confusos à primeira vista, mas eu considero que muito justos e reais. Sei que existem duas formas de aprender: pelo amor ou pela dor. Mas quem me garante qual a melhor e mais eficiente forma de aprender?

Mas voltando ao fato da criança frente ao prato que não queria,  como dizer a ela que tinha de comer pra aprender a gostar e porque na vida um dia se tem, noutro não, um dia a gente pode, noutro não… e essas coisas todas que limitam e forçam as pobres cabecinhas. Que no mundo tem de se lutar pra ter algo, justo eu que acho que ter não é o maior e que ser é o principal.

Como ensinar com a cabeça que tenho? Também já fui criança e sei que tem coisas que não gostava e não gosto até hoje. Jiló, quiabo, beterraba, chuchu, frango, carne com gordura… Sopa ao jantar, só se for muito especial, daquelas que consigo gostar, até porque fui obrigada a comer durante anos. Sangue de frango matado em casa, mesmo sendo orientada que era puro cálcio, vitamina, ferro etc. Tutano de boi era o máximo em nutrição, diziam. Tudo bem. Comi com repugnância, mas tive de comer.

E daí? O que isto foi bom pra mim no decorrer da vida? Foi só pra me mostrar que eu não gostava e continuo não gostando. De que me serviu comer o que estava no prato, e ainda com educação?

Não lhe apetece e deve ser forçada. Só pra eu me colocar como boa orientadora? Se eu não tiver nada mais para oferecer, o que tem é aquilo e tudo bem. Se não comer vai passar um pouco de fome. Mas, se tiver outras opções, por que não? Fazer engolir uma comida que não agrada naquele momento, sabendo que muitas vezes ainda terá de engolir, pela vida afora, comidas, pessoas, palavras, gestos, sentires… Isto é educar? Não entendo.

Isto aprendi bem. Que não foi pelos alimentos que me fizeram engolir, deglutir, tendo ânsias, que deixei de ser educada. Só um pouco rebelde, mas isto faz parte de minha personalidade ou caráter, como queira.

Tanta dita educação, pra que?  Pra dizer que me educaram bem? Nem sempre sou tão educada. E eu preferia, mil vezes, carinho e amor demonstrados, dizendo que gostasse  ou não do que me serviam, era amada. Que eu podia comer, ou não. Que podia querer, ou não.

É isto! Que eu podia!

Creio que nunca me deixaram ver ou sentir que eu podia. Nada nem qualquer coisa. Eu nunca podia. Nem ser, nem fazer, nem sentir, nem querer. Eu nem era… Ora, quem era eu?

Creio que foi aí que me eduquei pra vida, pois eu queria, eu fazia, eu sentia, eu era. Eu necessitava disso. E tentei pela vida afora tudo isso. Doeu muitas vezes o ser assim, me machuquei, mas não aceito como nunca aceitei tentarem me anular. Eu me perderia de mim e não é justo.

Talvez eu não sirva mesmo como educadora para crianças, mas tento não ser igual ao que conheci como regra fundamental de criação, formação, educação. Tentei e tento sempre ser o melhor dentro de meus conceitos.

Só isto.

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6 pensamentos sobre “Educando para a vida

  1. Educação se escreve todos os dias. Nao importa a forma. Importa o limite e a conduta de quem educa.. É tenebroso, fujo de restaurantes, hoteis, onde tem crianças to fora, ou estao dando birras, ou esbarrando em mesas, ou gritando, e os idiotas dos pais achando graça.
    Fui educada mais ou menos com vc diz ai em seu texto, exceção a comida. E fiz com os meus quase o q recebi. Mas hoje q sao adultos vejo q deveria ter sido mais rigida, exigido mais.

  2. V. sempre foi cheia de regrinhas e brava. Mas veja que os filhos são como são mesmo, não tem jeito, Conhecemos os nossos reciprocamente e já não comentamos inúmeras vezes: não foi assim que eduquei! onde foi que aprendeu a ser assim? Mas faz parte, amiga. Mas que a criançada de agora é muito incomodante,também acho. Passei até a dizer que não gosto de criança, imagine!
    Beijos e carinhos

  3. Acabei me lembrando da minha infância, E de meus irmãos.

    Minha Mãe, sempre liberalíssima: façam o que bem entenderem, desde que não se ofendam entre si nem aos demais. Comam o que quiserem, o quanto quiserem.

    Já meu pai, autoritário racional: cada um faz o seu próprio prato, na quantidade que suponha poder comer, desde que inclua feijão e arroz, e um legume ou verdura. Mas terá que comer TUDO o que colocar no prato. Tudo.

    Todos se deram bem, boas formações físicas, ossos fortes, etc. E ninguém nunca deixou nada no próprio prato, pois o “castigo” era sempre muito criativo…rs!

    Flores!

  4. Sempre fui mais tranquila com relação à questão educação. Quando se nasce em uma casa onde todos são razoavelmente educados, a gente permanece assim pela vida afora. A formação é que é mais preocupante, mas também acho que pau que nasce torto…..

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