Soneto sessentano

Já contei de meu primo/amigo Antonio Carlos (Babu para os íntimos) que admiro pela poesia que contém na alma e derrama em lindos e sentidos poemas. Não perco nenhuma de suas postagens em seu blog milionário de escritos os mais preciosos. Aqui fica o registro de seu soneto que me empolgou nesse dia coberto de lembranças as mais queridas. E o reconhecimento de que o que é brilhante nunca envelhece e nem se olvida.

Aos sessenta, que maldizem de melhor idade,

o homem se senta na cadeira de balanço

e se abalança a fazer um balanço:

o futuro caducou.

Restam-lhe o passado e o presente,

sobretudo aquele de quando somava

menos quarenta, que se não se engana

dá vinte (o que é quase um acinte).

Aos vinte, o homem não se senta

anda por todo lado e fala pelos cotovelos,

sem tempo de ser ouvinte.

Aos sessenta, quando é todo ouvidos,

se sente meio surdo de tudo

e lhe zumbem todos os olvidos.

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2 pensamentos sobre “Soneto sessentano

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