Paz mortal

pelicanos

O sol é dominante, como uma tocha lá no alto.

Os jatos cruzam ao seu lado
E os foguetes saltam feito sapos.
A paz não é mais preciosa.
A loucura circula como lírios
em volta da lagoa…
Os artistas pintam suas cores
vermelhas, verdes, amarelas!
Os poetas rimam sua solidão,
Os músicos morrem de fome,
Os escritores erram o alvo,
Mas não os pelicanos,
não as gaivotas.
Os pelicanos mergulham,
Sobem arrepiados
quase mortos
Com peixes radioativos
em seus bicos.
O céu se acende de vermelho,
As flores desabrocham
como sempre,
Mas cobertas de uma fina poeira
de combustível e cogumelos.
Cogumelos envenenados!
E em milhões de alcovas,
os amantes se entrelaçam
Perdidos e doentes
como a paz!
Não podemos acordar?
Temos de continuar, amigos…
E morrer enquanto dormimos.

(Charles Bukowski)

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