Pensando alto…

Acho que Martha Medeiros é a escritora atual que consegue dizer

o que a maioria das mulheres gostariam de deixar registrado.

As crônicas, os poemas, os romances e histórias que conta,

condiz exatamente com o pensamento e sentimentos

da maioria das mulheres de nossos tempos.  

Aliás, escritoras brasileiras que conseguem exprimir sentimentos e forma de encarar a vida

como grande parte da ala feminina desses nossos dias,

considero ela, Danuza Leão e Lya Luft e ainda Ruth de Aquino na abordagem política.

no divã

(Trecho extraído do livro Divã da Martha Medeiros)

livro o divã

“Eu sei que falei em prazer gratuito semanas atrás, e sei o que você pensa a respeito: nada é gratuito.

Mas, por enquanto, não consigo contrariar essa forte impressão de que a conta não virá. Se eu sinto alguma culpa, não é pelo o que faço às escondidas, não é culpa por estar me dedicando a uma experiência socialmente reprovável: é culpa por não sentir culpa alguma.

 

Por estar achando tudo condizente com meu grau de exigência em relação ao aproveitamento do meu tempo, condizente com a minha fome, que nunca foi de comida, mas de vivência.

A pergunta que mais faço é: por que não?

Desde pequena, desde que tomei gosto pelo ato de respirar e me senti atraída pelos dias que estavam por vir, horas repletas de novidade, desde que eu despertei para a leitura e que passei a sentir o sabor das coisas de uma forma muito entusiasmada, desde que eu soube que podia pensar e que o pensamento era livre, que dentro do meu pensamento ninguém poderia me achar, desde que meus seios cresceram e eu descobri que pessoas tinham cheiro, desde lá até aqui eu me pergunto: por que não me oferecer para aquilo que não fui preparada?

 

Eu tenho as armas de que necessito para me defender, e mesmo que eu perca, eu ganho, já perdi algumas vezes e sei como funciona a lei das compensações.

Quero acolher com generosidade o que em mim se manifesta de forma incorreta. Não vou pedir permissão aos outros para desenvolver a mim mesma; mando no meu corpo e em tudo o que ele confina, coração incluído, consciência incluída.

Talvez eu esteja com receio de ter ido longe demais desta vez e esteja preparando a minha defesa, caso alguma coisa não saia como esperado.

 

O que eu espero?

Não espero nada, espero tudo, estou à deriva nessa aventura.

Eu queria cristalizar esse momento da minha vida, mas estou em alta velocidade, e não sei se quero ir adiante, só que eu não tenho opção.

Acho que é isso. Eu tinha opções, agora não tenho.

Não consigo parar esse trem.”

 

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2 pensamentos sobre “Pensando alto…

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