My God, estou ficando velho!

envelhecer sorrindo 

Sempre pensei que a velhice era algo tão distante, que provavelmente nunca me ocorreria.

Mas isso porque eu era muito, muito jovem.

Depois, dos trinta pra frente, a velhice passou a ser algo possível, mas um porto ainda incerto e longínquo aonde atracaria o navio de meu corpo desgastado pelas tempestades da vida.

De repente, os quarenta passaram, entrei nos 50 anos. E, agora, nos 60.

Os americanos, malucos por expressões politicamente corretas, chamam as pessoas de 50 a 65 anos de idosos júnior (dos 65 aos 80 de idosos seniores e de 80 pra frente de idosos máster).

Não aparento a idade, ainda. Até porque, por ser da geração hippie, que bebeu todas, tomou todas, encarou tudo, devo ter envelhecido, sem querer, em tonéis de carvalho, como um bom uísque.

Bem, se você leitor (a), está nesta faixa de idade, que a propaganda popularizou como tio sukita, sabe muito bem dos sustos e prazeres que apenas a maturidade pode trazer.

O sábio e irônico Millor Fernandes disse que a idade só traz mesmo é mais idade. Desmentindo a si mesmo, porém, a cada ano escreveu melhor.

Aqui, gostaria de falar de fatos marcantes que vêm junto com o pacote da velhice:

Primeiro é o entendimento de que velhice é mesmo um estado de espírito. E, sendo um estado de espírito, está em nossas mãos batalhar para que seja bom, leve, prazeroso.

Isso é possível, acessível a qualquer um.

Agora, no que todos concordam, jovens e velhos, é que não dá para ser Peter  Pan depois dos cinquenta.

Não me refiro a tingir o cabelo de loiro pagodeiro, usar roupinhas de garotão e outros recursos para parecer que os anos não passaram.

É meio ridículo, não engana ninguém, mas um mal menor.

Duro é se recusar a crescer.

Porque o lado maravilhoso da maturidade é a habilidade, que apenas o tempo aprimora, de pegar os limões e fazer saborosas limonadas.

Desobrigados de ter objetivos fantásticos, grandiosos, altamente custosos e frustrantes (como comprar uma super casa financiada em 30 anos ou trabalhar como um mouro em busca da cenoura do 1 milhão de dólares), podemos nos concentrar no varejo da vida, e não mais no atacado.

Em vez de sexo apenas, sexo com amor e carinho e sem vergonha de qualquer fantasia.

Em vez de planos e projetos para anos a fio, o carpe die, um dia de 24 horas plenas.

Em vez de correria, um passo de cada vez.

Em vez de mil conhecidos, alguns amigos do peito bem cultivados.

Em vez de sonhar com um hobby, um passatempo, um curso, uma viagem, para quando tiver tempo, realizar já.

Em vez de olhar o próprio umbigo, descobrir que existem umbigos tão ou mais interessantes que o nosso.

Olhar, com olhos surpresos de netinho, como os velhos contribuem para remoçar o mundo com sua sabedoria acumulada.

Igual um Peter Druker que, do alto de seus 90 anos, sacode a nova economia.

            Igual, no nível local, um Sobral Pinto que tirou o Collor do phoder também aos 90 anos.

Igual tantos e tão ilustres e revolucionários cinquentões, sessentões, setentões, oitentões, no mundo inteiro, que servem de farol da humanidade.

Não há uma regra de como ir envelhecendo sem perder a juventude da alma.

Mas talvez seja o dar-se o luxo de não ter regras, verdades definitivas, esse o grande segrêdo de envelhecer com graça e juventude no interior do peito, já que, no exterior, tudo cai pela lei da gravidade, naturalmente.

Vocês já viram na televisão, no teatro, na literatura, que as tesudas Lolitas procuram homens maduros em busca de proteção. Mentira pura. Só velhinhos mal resolvidos caem nessa armadilha erótica capitalista.

Fruta madura prefere outra igual, mais doce, menos verde.

Envelhecer é um privilégio (quantos não morrem no meio do caminho?), não uma maldição. Mas se não aprendeu até aqui não vai aprender nunca mais.

Isso eu aprendi.

E vamos parar com essa bobagem de politicamente correto! Velho não é melhor da terceira idade ou idoso sênior. Velho é velho e pronto. Com mérito e orgulho.

Ulisses Tavares tem 62 anos e o mesmo tesão pela vida de sempre. Coisas de poeta.

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