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O Universo só lhe dá aquilo que v. acredita

espiritualidade

Eu sou a minha casa, na minha casa há duas portas. Uma me liga a Deus – Luz imensa, tão maravilhosa e curadora! A outra é de sombra: sofrimento, dúvida e o uso de uma linguagem afastada do amor e da gratidão. Eu escolho o que vai entrar na minha casa. Fecho uma porta e abro outra através de meus atos, invocações, pensamentos, palavras… E muita disciplina.

universo só lhe concede aquilo que você sente, não pode ser diferente!

Quando você pede por algo é o Todo pedindo para o Todo. Às vezes, seus pedidos advém do ego, e ainda assim eles são atendidos. Porém, a sua satisfação não pode durar muito, logo a sensação de realização se esvai e você fica entediado e resmungão, porque o espírito não foi trabalhado em seu interior. Quando os seus pedidos tem um propósito de alta felicidade espiritual, então Deus começa a agir com um poder absoluto de dentro para fora em seu universo. Você começa caminhar por um caminho de revolução íntima, e todos os seus anseios serão nivelados a uma luz de compreensão divina. O espírito de Deus começa a ser derramado em você como aquele que mostra o caminho e lhe faz profundamente satisfeito em sua presença. Tão satisfeito que os resultados passam a não ser mais importantes! E chegar a este nível, exige de você uma entrega total.

Você nunca verá alguém receber nada do que não mereça, então por que ficar indignado? Você NÃO pode ir contra essa corrente de atividade de justiça divina e encontrar a felicidade na esquina. Toda vez que você reluta e se frustra é sinal de que está fechando uma porta que deveria estar sempre aberta. Tem alguém que foi abandonado em seu interior e este alguém sempre se sentirá injustiçado. E quando você encontra alguém recebendo a sorte e a bem aventurança é o universo nas mãos de Deus fazendo jus àquilo que esta pessoa tem por dentro.

O universo favorece aquele que é inteligente e sabe nadar na corrente, e às vezes, mesmo diante do mar revolto, trabalha em função do espírito para que este seja a sua candeia de luz em tempos difíceis. Este homem inteligente sabe que tudo lhe será devolvido e mesmo que ele não saiba, ainda assim aprecia estar na companhia da luz. Aquele que ignora tudo isso é apenas um verificador dos fatos. Ele olha para vida e diz: que droga! E nada faz para mudar o império de insatisfações que pulsa dentro dele. E o universo lhe devolve mais de todas as suas contestações mundanas.

Esteja na presença de uma luz avassaladora e as respostas virão:

Deus eterno guie-me para a sua luz tão imensa! Senhor do Universo, mostre-me a grandeza do teu amor por mim! Que tudo o que eu falar venha da sua voz. Que tudo o que eu enxergar venha dos seus olhos. Que tudo o que eu pensar venha do seu pensamento tão sublime. Porque o teu espírito é aquele que me dá muita alegria!

Vivian Weyrich

– publicado em Universo Natural /  José Batista de Carvalho
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Desafios – Osho

O ser humano tem a mania ilógica de querer controlar tudo e com uma prepotência enorme de achar que realmente sabe tudo.

Houvesse um pouco mais de humildade em seus atos e pensamentos e tudo poderia ser muito mais tranquilo, ele mais servido, mais satisfeito e mais completo e realizado.  

São quatro as estações do ano, que por sua vez se completa com 12 meses, que perfazem 52 semanas, compostas por 7 dias de 24 horas.

Um passo por vez faz o caminho da vida. E assim ela se renova e se completa em todos os âmbitos.

Saber vivenciar cada passo requer paciência, resignação, entendimento e muito amor.

Mas assim é que a vida se completa e pode ser vivida em todas as suas nuances e completude. Assim é que plantando se faz boa colheita.

Sei que não é fácil todo esse caminho, mas vou aprendendo que é a melhor forma de caminhar.

estações do ano

“Era uma vez um fazendeiro que, após uma colheita ruim, reclamou: ‘Se Deus me desse o controle do clima, tudo seria melhor, pois parece que ele não entende muito de agricultura.’”

Isso é verdade! Ninguém jamais ouviu dizer que Deus é um fazendeiro – como ele poderia saber?

“O Senhor disse a ele: ‘Durante um ano eu lhe darei o controle do clima; peça o que você quiser, e seu desejo será concedido.’”

Antigamente, Deus costumava fazer isso. Depois ele se cansou…

“O pobre homem ficou muito feliz e imediatamente disse: ‘Agora eu quero sol!’, e o sol saiu. Mais tarde ele disse: ‘Que chova!’, e choveu. Durante um ano inteiro, o sol brilhava e depois chovia. As sementes cresciam, cresciam… era um prazer observar aquilo! ‘Agora Deus pode entender como se controla o clima’, ele pensou com orgulho. A plantação nunca antes havia crescido tanto, ficando tão verde, e de um verde tão saudável.

Chegou a hora de colher. O fazendeiro pegou a foice para cortar o trigo, mas sentiu um aperto no coração. Os caules estavam praticamente ocos.

O Senhor veio e lhe perguntou: ‘Como estão as suas plantas?’ O homem se queixou: ‘Pobres, meu Senhor, muito pobres!’ ‘Mas você não controlou o clima? As coisas não saíram como você queria?’

‘Claro! E é por isso que estou perplexo – recebi a chuva e o sol que eu pedi, mas não há o que colher.’

Então o Senhor disse: ‘Mas você nunca pediu vento, tempestades, gelo e neve, tudo o que purifica o ar e torna as raízes duras e resistentes! Você pediu chuva e sol, mas não pediu mau tempo. É por isso que não há o que colher.”’

A vida só é possível através dos desafios. A vida só é possível quando você tem tanto o bom tempo quanto o mau tempo; quando tem prazer e dor; quando tem inverno e verão, dia e noite; quando tem tristeza tanto quanto felicidade, desconforto tanto quanto conforto. A vida passa entre essas duas polaridades.

Movendo-se entre essas duas polaridades, você aprende a se equilibrar. Entre essas duas asas, você aprende a voar até a estrela mais distante.

Se você escolhe o conforto, a conveniência, você escolhe a morte. É assim que perde a felicidade real: você escolheu a conveniência no lugar dela.

É muito conveniente seguir a voz dos pais, é conveniente seguir o padre, é conveniente seguir a igreja, é conveniente seguir a sociedade e o Estado. É muito fácil dizer sim a essas autoridades, mas aí você nunca cresce. Você está tentando conseguir o tesouro da vida por um preço muito baixo. Mas é preciso pagar por ele.

Seja um indivíduo e pague por isso. Na verdade, se você ganhar uma coisa sem pagar, não a aceite — isso é insultante para você. Não a aceite; não lhe fica bem. Diga: “Vou pagar por isso – só então, aceitarei.”

Realmente, se uma coisa lhe é dada sem você estar preparado para ela, sem ser capaz de tê-la, sem estar receptivo a ela, você não poderá possuí-la por muito tempo. Vai perdê-la num lugar ou noutro. Você nunca será capaz de apreciar o valor dela.

A existência nunca lhe dá algo por um preço baixo, pois você nunca será capaz de gostar de verdade de algo que não exigiu nenhum esforço de você.

Escolha o mais difícil. E ser um indivíduo é a coisa mais difícil do mundo, porque ninguém quer que você seja um indivíduo. Todos querem matar a sua individualidade e fazer de você um carneirinho.

Ninguém quer que você seja você mesmo. Por isso, você vai perdendo a felicidade, vai perdendo a direção e, obviamente, a meditação se torna impossível, a concentração parece quase inexistente.

Você não consegue se concentrar, não consegue meditar, não consegue ficar com coisa alguma por mais que uma fração de segundo. Como pode ser feliz?

Escolha o seu destino. Eu não posso mostrar a você qual é o seu destino – ninguém mais sabe, nem você. Você tem que senti-lo, e tem que ir devagar.

Assim, abandone tudo aquilo que, em seu ser, for emprestado, e então você poderá sentir. Isso sempre o conduzirá ao lugar certo, à meta certa.

Aquilo que neste momento você chama de consciência não é a sua consciência. É uma substituta — uma pseudoconsciência, uma farsa, uma falsificação. Abandone-a! E, quando a abandonar, você poderá ver, escondida atrás dela, a sua real consciência que estava à sua espera.

Quando essa consciência penetrar em sua percepção, a sua vida terá uma direção, a meditação seguirá você como uma sombra.

Osho, em “O Homem que Amava as Gaivotas”

Eu envelheci

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por vómenos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo. 

Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido … Eu vou.

Vou andar na praia em um calção excessivamente largo sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set. 
Eles, também, vão envelhecer. 

Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.

Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?

Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.

Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. 

Eu ganhei o direito de estar errado. 

Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idoso. A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.

E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

girassol no vaso

Pablo Neruda – Poema 20

 

luar e estrelasPosso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e piscam, azuis, os astros, ao longe”.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis.

Nas noites como esta,  tive-a entre meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela me desejou, e às vezes eu também a desejava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se conforma por havê-la perdido.

Como que para aproximá-la, meu olhar a procura.
O meu coração a procura, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a desejo, é verdade, mas como a desejei…
Minha voz buscava o vento para tocar seu ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Já não a desejo, é verdade, mas talvez a deseje…
É tão curto o amor, e tão longo o esquecimento…

Porque em noites como esta tive-a entre meus braços,
minha alma não se conforma por tê-la perdido.

Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que eu lhe escrevo.

( Pablo Neruda )
(Tradução livre de Fabio Rocha e Luis Cubas Vivanco, do livro Pablo Neruda – poemas para recordar – Selección de Óscar Hahn, 4a edição. Santiago do Chile: Fundación Pablo Neruda, Outubro de 2012, ps. 15 e 16 – poema original do livro “Veinte poemas de amor y una canción desesperada” (é o poema 20).