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Gente Fina

gente fina

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Eu gosto de gente

Gosto e gosto demais de gente!  De todos os tipos, de todas as formas, com entusiasmo.

Lógico que tendo uma mente muito livre e agitada, encontro aqueles dias que digo que gostaria de viver sozinha,

que vou fugir pro mato, que estou cansada de tudo e de todos.

Pessoas me dizem que é horrível a solidão, não ter com quem falar, não ter vozes pra ouvir.

Nunca acho que isto é solidão. São pausas necessárias em qualquer vida. De alguma forma nunca me sinto sozinha.

Sem nenhuma falta de humildade, me sinto super bem acompanhada quando estou só comigo.  

Mesmo naqueles dias de nuvens escuras cobrindo o sol, me bato e rebato, mas continuo não  sentindo solidão.

Alguns, mais chegados, conhecendo minha história de vida, dizem que é porque sempre tive muita gente no entorno.  

Vai ver que é verdade.

E talvez por isto também sempre ansiei por ter tempos de ficar sozinha.

E continuo não chamando isto de solidão. É na verdade SOLITUDE.

O ser humano já é completo em si mesmo e não vejo necessidade de complementação de outros seres.

Mas tal constatação não impede, de forma nenhuma, de gostar de gente.

E de conviver gostosamente com gente semelhante a mim, de conversar com cabeças que trazem conteúdo e enriquecem meus dias, pessoal ou virtualmente.

Afinal vivemos no tempo de convivências nem sempre palpáveis, mas com uma profundidade de sentimentos que envolvem realmente.

Hoje, tenho amigos que ainda não conheci pessoalmente,

mas que me acompanham e têm afinidades que por muitas vezes não encontrei pelo caminho da realidade.

E são tão reais que consigo vê-los em expressões diversas,

sinto o cheiro deles, me fazem falta, e gosto deles com força e sentimentos profundos.

Recentemente um amigo querido, se foi para outros planos.

De repente, de um dia para o outro eu soube que ele já não estava entre nós.

Senti profundamente, doeu muito e ainda dói essa perda.

Nem tirei o endereço postal dele e cada dia quando passo pelo seu nome, meu coração dá uma tremida.

Eu acompanhava e mantínhamos uma relação estreita através do blog que ele alimentava – Idade Certa.  

Assim se constata que, nos dias que vivemos, dificilmente estamos sós completamente.

Tem muita gente nos cercando e convivendo conosco das formas mais diferentes e gostosas. 

eu gosto de gente(Página Hierophant – Facebook)

Luz para você

Acho que todos conhecemos gente que reclama do que acontece ou que não acontece.

Estão sempre esperando algo sem se incomodar com a escuridão e acender o interruptor.

Um muito antigo ditado diz: quem quer faz e quem não quer manda. 

Um querido amigo já publicou por algumas vezes: quando entro no túnel já acendo minha própria luz.

Sempre acho que, se realmente desejamos algo, até mesmo a luz ou clareza para caminharmos,

é necessário muito empenho, coragem, dinamismo, fé e o que mais se buscar no fundo de cada um de nós.

Daí é mais fácil levantar, sair da zona de conforto e atuar.

E melhor ainda…. CHEGAR LÁ!

luz para você

Solidão

 Este poema circulou por diversas ocasiões como sendo de Chico Buarque. 
Dentre pesquisas que fiz, na realidade é de autoria de FÁTIMA IRENE PINTO,
 fazendo parte de publicações suas como Ecos da Alma e Palavras para 
Entorpecer o Coração.

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…

Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar…

Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…

Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida…

Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…

Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma…. 



Esperteza x Genialidade

 

Esta mensagem recebi de meu neto e ele sabe porque está me enviando. Achei perfeita para situações as mais diversas que a gente vive. Tão perfeita que conta uma história completa e por isso a inseri em Crônicas. Difícil é quando a gente percebe que não consegue a genialidade que deveria ou quando se verifica que nenhuma das partes confere.

Mulher criança

Hoje eu precisava de um amigo.

Alguém que me ouvisse, que me olhasse,

que falasse comigo, que ficasse quieto,

que me desse atenção e carinho.

Sentia-me só e com necessidade de gente.

Mas gente que eu gostasse e me transmitisse algo.

Que me fizesse rir ou chorar.

E como riso e choro são próximos!

A solidão é profunda em mim.

Já ouvi dizerem que sou alguém com uma necessidade louca de libertação total,

ou que sou um misto de mulher e criança que não consegue se decidir entre os dois seres.

Eu só queria, às vezes, sentir o sangue correr nas veias, o coração bater forte no peito,

a vida correr sem maiores envolvimentos ou preocupações.

Eu só queria sentir vibração e vida.

Os seres não entendem de fato o que pode ocorrer em pessoa que aparenta ser segura,

impassível, tranquila e eficiente.

É muito mais fácil julgar pelo que se ouve num repente,

crer no que se quer por conveniência, reagir na escuridão

– onde se transmite muita agressão ou muita irrealidade.

Hoje eu queria um amigo que dissesse: gosto de você, porque você é você.

Não importa a forma que se dê ou seus maneirismos.

Já sei que tenho uma carência afetiva que não se explica,

pois tenho tudo o que uma mulher pode querer.

Ainda assim não sinto a vida ser em mim.

Tenho uma solidão adoidada que explode e fossiliza.

Perco a esperança de um dia ser completa.

Serei sempre um meio, um aparato, um apoio, uma exaustão,

um vazio buscando amor, vida, vibração.

Um sonho tentando ser real. Uma sombra buscando sua forma.

Uma mulher brincando de criança, uma criança tentando ser mulher.

SK-mar/76

Sertaneja


Desde de muito jovem ou, até se pensar bem, desde criança, tenho uma enorme atração pelas músicas sertanejas de raiz.

Daquelas que contam histórias tristes, que falam de saudade, de alguém distante, de busca constante de um amor ou de um lugar que parece irreal.

Até hoje, já no outono da vida, sinto uma atração ardente. Algo que não consigo explicar bem. Ouço e ouço as músicas sem me cansar, mesmo que elas se repitam no decorrer de todo o tempo e sempre sinto a mesma emoção.

Quando trabalhava e ficava horas e horas em reuniões, geralmente técnicas ou políticas, ia anotando tudo o que interessava para poder preparar atas e relatórios extensos e precisos. Além dos relatórios devia tomar todas as providências de realização do que se deliberava. Eram muitas as horas de trabalho e geralmente iam pela noite adentro. Mesmo assim, chegando em casa muito cansada, o que me descansava era colocar os discos pra tocarem e ficar por mais um bom tempo ouvindo.

Era nesse espaço que eu escrevia muito como que em desabafos, chegando até as lágrimas por muitas vezes. Era então que me perguntava o que estava eu fazendo ali, que não era meu lugar, que não tinha nada a ver comigo tudo o que me cercava e a realidade que vivia. Tinha uma saudade profunda de um lugar distante que nunca conclui qual era. Sentia até o cheiro da terra, das estradinhas batidas, da casinha muito simples na beira de um caminho que não identificava. Meu coração batia de vontade de rever pessoas, de abraçar gente que eu sentia que seria a minha gente.

Sempre escrevi coisas que falavam disso tudo e falava muito em saudade, em dor de falta. Nunca descobri que saudade doída era aquela e dor do que eu sentia. E até hoje ainda sinto que estou fora de lugar, que ainda não cheguei lá.

E onde será esse lá que tanto sonho e quero? Quem será a gente que procuro? Vou matar a saudade um dia?

Deve ser algo atávico, pois nunca vivi fora da cidade, mesmo tendo morado em cidade pequena de interior. Nunca tive uma convivência rural nem de local nem de pessoas.

Certeza só de que lá dentro de mim, bem no fundo, tem um cantinho feito só de locais e pessoas que nunca conheci nem consigo identificar com realidade. Falando assim parece coisa meio esquizofrênica, algo necessitando de atendimento psíquico, mas sei que é algo calmo, sereno, de um atavismo que se mostra latente.

Só assim posso explicar o que sinto quando toca o berrante e me sinto como se já tivesse ido em comitiva pelo campo afora, tocando a boiada. Como se ansiasse por chegar à casa e aos braços que me esperam simples e aconchegantes.

Enquanto não chego lá, sei onde, ouço e ouço as músicas que me tocam tão profundamente, com cheiro de mato e terra, repetindo meu lamento, as vezes um grito: eu não sou daqui!