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Expresse seus sentimentos

Há poucos dias um amigo me perguntou o que a maturidade me ensinou.

De imediato respondi que a maturidade, quando chega, nos mostra que temos alguns direitos que antes não se faziam presentes.

Pensando no assunto, lendo matérias diversas, sofrendo na carne  e no espírito desavenças comigo mesma,

vou concluindo que é de suma importância deixar que nossos sentimentos aflorem.

Não existe nada que justifique ficarmos engolindo sensações boas ou não, sem se expressar ou demonstrar.  

A vida não é perfeita.

Temos os ciclos constantes de euforias, de grandes amores, de grandes dores, de perdas inconsoláveis, de ganhos incomensuráveis.

Cada dia é um só e não tem volta.

E então não tem sentido nenhum escondermos o que somos, o que queremos, o que gostamos,

o que nos agrada, o que nos desagrada, os sonhos que temos, a esperança que se renova, os medos que nos assolam.

Amor, raiva, saudade, querer, detestar, se irritar, sorrir, afagar, perdoar, querer companhia, pedir pra ficar só, chorar….

Tudo isto é vida.  

E a vida é pra ser vivida em todas as suas nuances, até que a morte nos separe.

Imperdoável permitir que a saúde deixe de existir completa por falta de consciência dos direitos que a nós pertence.

E nem precisa esperar pela maturidade pra fazer uso dos direitos inerentes.

Temos de viver sempre a realidade de cada um de nossos sentimentos

desde que a vida se instala e tem início nossa caminhada.  SK (Sonia K.)

coruja lendo

Você pode se enganar e enganar muitas pessoas fazendo o papel de bonzinho, de coitadinho ou contar mentiras para não ferir essa ou aquela pessoa. Você pode esconder tudo de todo mundo, mas o seu corpo sente e reage às agressões que você tem cometido contra ele.

Se você continua naquele relacionamento que não suporta mais, naquela rotina que tira a sua alegria, naquela sociedade que já se desgastou, naquele emprego que rouba o seu prazer, ou naquela amizade mais falsa que nota de R$ 60,00, o seu corpo vai sentir essas emoções e como uma bateria, vai carregar e armazenar esses sentimentos, até que um dia vai explodir como bomba atômica.

Desde crianças, somos obrigados a segurar as emoções. Muitos pais ensinam que chorar é “sinal de fraqueza”, “masturbação é pecado”, “sexo é vergonhoso e ter prazer é coisa de pessoas sem vergonha”. Desde muito pequeno, vamos sendo castrados em nossos sentimentos e emoções e quando podemos tomar nossas próprias decisões, em nome de “convenções da sociedade”, seguramos nossa raiva, nossa indignação, não abraçamos nossos amigos, não beijamos mais por uma vergonha besta e ridícula. A menina não abraça a menina por ter medo de ser chamada de “sapatão”, o menino não abraça o menino com medo de ser chamado de “bicha” e os homossexuais, escondem seus sentimentos com medo de serem rechaçados pela família e pela “comunidade”.

Assim, vamos armazenando sentimentos que precisam sair de alguma forma, e normalmente, todas as emoções se traduzem em raiva e/ou tristeza, uma sombra que se esconde por trás de sua aparente figura. Quanto mais tempo você sofrer calado, mais doente vai ficar…

Carl e Stephanie Simonton dirigem o “Cancer Counseling and Research Center de Dallas”, Texas , ele é um médico radioterapeuta, especializado no tratamento do Câncer. Stephanie é formada em Psicologia. Eles defendem a ideia de que as doenças sofrem grande influência psicológica. O casal, concluiu que uma doença não é só um fato físico, e sim, um problema que diz respeito à pessoa como um todo; corpo, emoções e mente. As emoções e a mente tem certa função na reação ao Câncer e na sua recuperação.

O Câncer, por exemplo, surge como uma indicação de problemas em outras áreas da vida da pessoa, agravados ou compostos de uma série de “problemas” que surgem de 6 a 18 meses antes de aparecer o Câncer. Foi observado que as pessoas reagiram a esses “problemas” com um sentimento de falta de esperança, desespero, desistindo de lutar por uma vida melhor. Acredita-se que essa reação emocional dispara um conjunto de reações fisiológicas que diminuem as defesas naturais do corpo, tornando-o mais frágil e favorecendo à produção de células anormais.

Por isso, nada de ficar guardando as suas emoções em uma caixa de orgulho e falsos pudores. Quer gritar? Grite!.

Quer reclamar? Reclame.

Quer comer jiló? Coma.

Quer se separar? Separe-se.

Pare de esconder os sentimentos, a vítima com certeza será você.

Paulo Roberto Gaefke

 

 

 

 

Sorria…. viva!

Pense bem. A vida é um lapso no tempo.

V. é criança… pouco mais adolescente… logo em seguida jovem… mais um tequinho e torna-se adulto.

Luta, corre, fala em realizações, procria, caminha contra o vento, às vezes “sem lenço e sem documento”…  

num estalar de dedos e chega a maturidade,

logo seguida da tal velhice e passa a ser chamado de “terceira idade” ou idoso.

É tudo tão rápido que a gente só vai sentir que, de repente,

se olha no espelho e as rugas se instalaram,

nasceram pelos onde sempre foi liso, dores estranhas começam a doer aqui e ali….

os cabelos vão rareando sendo homem ou mulher….

Os sonhos vão ficando distantes… 

A memória vai escapando…

Daí a gente tem de parar, olhar pra trás e ver que a vida é mesmo um raio.

Então…….sorria

Vida que se renova

FELIZ ANO NOVO!

feliz ano novo

Há dias e dias que pelas madrugadas fico pensando, pensando e escrevendo em pensamento. Tenho tanta coisa pra falar, mas não tenho conseguido sentar aqui e registrar. Agora me sentei, um copo de suco de uva ao lado e vamos conversar um pouquinho.

 

Um novo ano se aproxima e preciso deixar falado que este ano que já se coloca no horizonte, partindo pra sempre, não foi dos mais fáceis pra mim. Passei por períodos de muito medo, de muita insegurança, de muita dor física e emocional, mas consegui atravessá-lo por inteiro e sem perder a esperança de que novos dias estão chegando com surpresas agradáveis, momentos de paz e amor para todos os que amo.

 

Apesar das dores, tive prazeres enormes conhecendo pessoas maravilhosas que me cercaram e conviveram comigo dia a dia, tanto pessoal como virtualmente.

Sim, porque hoje a gente consegue conhecer, conversar e conviver, mesmo virtualmente, com a mesma sensação de presença física.

 

Conheci pessoas que se dedicam a cuidar de outros com sorrisos e palavras de entusiasmo;

– pude me encontrar com gente que é poeta, que escreve textos belíssimos que é algo que sempre admirei muito;

– pude me aproximar de gente que é artista de alma, que pinta, escreve, canta e encanta;

– conheci outras que têm uma vida semelhante a minha, que cuidam de animaizinhos amados, moram em uma casa simples, mas cheias de amor e esperança, com as quais estreitei laços que serão de amor para sempre;

– conversei com muita gente que me fez muito bem espiritualmente, que me animou em momentos complicados;

– tive visitas de pessoas lindas que só conhecia por aqui e que vieram me ver e até trouxeram mimos para me alegrar e como forma de nos conhecermos pessoalmente;

– tive a graça de contar com a ajuda de pessoas queridas, até chegadas familiarmente, mas que me surpreenderam com a solidariedade e carinho que se demonstram em atitudes;

– tive a oportunidade de contar com amigos sinceros e com presença constante, que se preocuparam em fazer e trazer comidinhas que pudessem me agradar e fazer bem, que foram comigo até subir em árvores pra colher folhas de chá que me ajudariam.

 

Tudo isto não tem preço. Não tem forma de se agradecer. Tenho só mesmo de abençoar a cada um, pedindo a Deus que lhes dê o retorno de todo este bem que me fizeram. 

Por este aspecto foi um ano lindo. Minhas experiências de saúde não foram  das melhores, mas trouxeram consigo momentos muito especiais.

 A VIDA é isto!

Coisas tristes que trazem em seu bojo também a alegria.

A compensação sempre acontece.

E isto é muito importante.

Viver o dia a dia, sem perder os melhores momentos.

Chorar para aprender a sorrir cada vez mais e de forma completa.

Se não tivesse chuva não teríamos a possibilidade do arco-íris com suas cores divinas e incomparáveis.

Sempre falei e agora posso repetir com certeza que quem não sabe chorar não pode aprender a sorrir.

Quem não passa por experiências complicadas não consegue encarar fatos simples.

 

Aprendi nessa caminhada a me desapegar de coisas materiais que não conseguia antes. Foi um aprendizado pra eu nunca mais dizer de boca cheia que a coisa mais importante da vida é o dinheiro, pois com ele existindo até cuidar da saúde é mais fácil.

Doce ilusão.

 

Afinal tudo é importante. Cada coisa tem seu valor e sua colocação no espaço desta vida. Isto é o VIVER.

Isto é o caminhar que se inicia no útero da mãe e vai nos conduzindo como numa formação de elos, cada fato se juntando aos outros, cada dia proporcionando novos acontecimentos que se juntam e que recebe o nome de VIDA.

 

E é muita VIDA – completa, com grandes surpresas, com lágrimas e sorrisos, com dores e

amenidades, com a condição de conhecer pessoas que enriquecem cada dia e fazem valer a

pena, com todos os jogos de perdas e ganhos, com todos os elos que compõem esta grande

sinfonia – muita e muita VIDA é o que desejo a todos que fizeram e fazem parte da minha.

 

 ramal

Vai passar…

Muitas vezes a gente para, analisa toda uma situação sendo vivida e não tem muito a comentar.

 Só uma dor que corrói lá no fundo e vai se tornando insuportável.

Nada, nem mesmo as palavras mais doces ou encorajadoras conseguem transpassar o que se tem no íntimo e faz a alma chorar.

Os dias vão ficando cinzas em todas as suas nuances

e o sol já nem é notado em seu brilho.

As estrelas vão perdendo a luz e o luar torna-se só uma bola prateada.

E a alma chora.

 anjos“Que vontade a gente sente um monte de vezes de ir lá pertinho do ponto exato

onde mais dói alguém que amamos

e soprar a tal dor para um lugar onde ela não machuque mais ninguém.

Como não podemos, abraçamos,

que o abraço é também um jeito de dizer:

“vai passar, está passando; eu estou aqui com você.”

Pedaços de mim

Tem textos que pego pra ler e me encontro tanto que chego a ficar em dúvida se não fui eu que escrevi. Martha Medeiros é realmente muito especial em suas colocações e não me canso de ler tudo o que ela publica. 

“Eu sou feita de sonhos interrompidos,

detalhes despercebidos,  amores mal resolvidos.

Sou feita de choros sem ter razão, pessoas no coração,

atos por impulsão.

Sinto falta de lugares que não conheci,

experiências que não vivi, momentos que já esqueci.

Eu sou amor e carinho constantes,

distraída até o bastante, não paro por instantes.

Já tive noites mal dormidas, perdi pessoas muito queridas,

cumpri coisas não prometidas.

Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir.

Para não enfrentar, sorri para não chorar.

Eu sinto pelas coisas que não mudei,

amizades que não cultivei, aqueles que eu julguei, coisas que eu falei.

Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo,

lembranças que fui esquecendo, amigos que acabei perdendo.

Mas continuo vivendo e aprendendo.”

(Martha Medeiros)

Diálogo com a alma

Minha alma boêmia e vagabunda,

tão ferida a teimar.

Deixe as lágrimas saírem,

não chore só você, alma.

Permita aos olhos umedecerem

e verterem toda sua tristeza.

Pare um pouco seu caminhar.

Você vai sempre louca em frente,

sem parar, sem descansar.

Ninguém nota sua triste ida

e o sorriso que você força nos lábios

consegue convencer a maioria.

Você faz do rosto sua máscara

e teima tanto em se esconder

que já não sabe vir à tona.

Chore, pobre alma, murcha e dorida em meu cérebro.

Você sempre foi sonhadora e crente.

Isso só faz chorar.

Esqueça o amor, esqueça palavras,

esqueça as pessoas.

Você poderia ser mais alegre.

Feliz, talvez.

Eu falo e sorrio.

Falar em felicidade a você?

Mas a carcaça que carrega necessita falar dessas coisas.

Mas não chore mais tão só, escondida sob tudo.

Deixe os olhos chorarem

e os lábios se torcerem amargos.

Force que a matéria mostre o que não é seu.

Não se destrua ao toque, nem se trucide só.

A casca apodrece e é esquecida.

Só você é realmente.

Reine então!

Coloque a coroa em sua cabeça,  erga-se e avance!

Dobre o corpo que lhe carrega

e levite altaneira como merece.

Você é boa e pura. A única virgem em mim.

Não permita aos impuros destruí-la.

Levante e caminhe livre, alma!

A liberdade é sua essência.

Erga-se, enxugue a lágrima e sorria.

Este mundo é todo seu.

A fuga

Estou alegre?

Não, não estou.

Esta euforia, esta agitação, esses sorrisos imensos,

essa vontade de não parar, de gritar, de cantar,

de sair andando, correndo, não enxergando, não sentindo,

tudo isso que venho sentindo é pura e simples mais uma forma de fuga.

Nasci buscando e fugindo.

E vou passar muito tempo fugindo, de alguma forma escapando.

Sorrindo, cantando, falando, fazendo charme com sorrisos marotos,

com uma virada repentina, com uma maneira de sentar diferente.

Pura simulação, bem sei.

Achando que não poderei ser eu simplesmente,

por que permanecer como não sou realmente?

É melhor fugir, correr, gritar, fingir uma alegria que nem existe.

Disseram-me que agrido quando resolvo sorrir o tempo todo.

Talvez seja isto que quero: agredir.

Dar um chute em tudo. Em toda essa parafernália à volta,

em todas essas máquinas que se dizem humanos.

É um tal de entrar e sair, falando bom dia, boa tarde, até logo, prazer, dá licença, obrigada, desculpe.

Pra que tudo isso afinal? É isso então o mundo e a vida?

É essa educação que nos passam enquanto crianças que devemos repetir pra sempre?

Por que não dizer: detesto você, você não me agrada, gosto de você, de você também,

eu amo você, tome um beijo, dê-me sua mão, segure a minha, receba esse sorriso que fiz pra você,

enxugue essa lágrima que rolou, tome uma flor, façamos amor.

Mas o mundo é muito formal.

E dinheiro, então?

Corre-se, levanta-se, sai, vai, volta, sofre, se perturba, se desumaniza, vira-se máquina,

agride, se acaba, se mata.

Tudo pra poder comprar uma flor que não cobra pra nascer,

um luxo que não é necessidade e até pra comprar o amor, imagine!

Dinheiro pra comprar o mundo e seus moradores.

Que planeta maluco!

Cheio de jatobás que ninguém se preocupa em aparar.

Quase sem flores, que não se preocupam em cuidar.

Cheio de reis querendo imperar não importa sobre o que ou quem.

Cheio de contadores de dinheiro,

cheio de bêbados que bebem pra esquecer que já não existem

e, se não forem bêbados não serão nada mais.

Que planetinha louco e vagabundo…

Ou louca e descabida sou eu?

SK/71