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Onde ficou minha face?

Às vezes me perco pensando nas mudanças que a vida proporciona.

E, de repente, eis que cai frente a meus olhos um poema assim, exprimindo exatamente o que me vai na alma.

Por isto tenho de deixá-lo marcado aqui, impresso e registrado, seguindo a busca de onde deixei minha face, aquela que eu considerava minha realmente.

Perdi a face, mas a alma permanece a mesma sonhando, sentindo, amando a vida, querendo respostas, fazendo perguntas.  

Sempre repito que acho que nunca sairei da idade dos porquês.

O tempo passa inexorável, trás mudanças inexplicáveis e não esperadas, mas a alma é teimosa e permanece como foi, é e será.

Cecilia Meireles

“Não estás deprimido, estás distraído”

ser felizNão estás deprimido, estás distraído.
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído.
Por isso acredita que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: liberta-te de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.

E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte, apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.

Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.

Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

 Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.

Lembra-te: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”.

Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.

Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: Se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas).

Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido… portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade,
disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida. Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.

E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.

Facundo Cabral é um cantor Argentino, nascido em 22 de maio de 1937 na cidade de Balcarce, província de Buenos Aires, Argentina. Em tenra idade seu pai deixou a casa deixando a mãe com três filhos, que emigraram para Tierra del Fuego no sul da Argentina.
Cabral teve uma infância dura e desprotegida, tornando-se um marginal, a ponto de ser internado em um reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de Simeão, um velho vagabundo
Em 1970, ele gravou “No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá” e seu nome fica conhecido em todo o mundo, gravando em nove idiomas e com cantores da estatura de Julio Iglesias, Pedro Vargas e Neil Diamond, entre outros. Influenciado, no lado espiritual, por Jesus, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá, na literatura por Borges e Walt Whitman, sua vida toma um rumo espiritual de observação constante em tudo o que acontece em seu redor, não se conformando o que vê, durante sua carreira como um cantor de Música Popular e, toma o caminho da crítica social, sem abandonar o seu habitual senso de humor.Como um autor literário, foi convidado para a Feira Internacional do Livro, em Miami, onde conversou sobre seus livros, entre eles: “Conversaciones con Facundo Cabral”, “Mi Abuela y yo”, “Salmos”, “Borges y yo”, “Ayer soñé que podía y hoy puedo”, y el “Cuaderno de Facundo”.
Em reconhecimento do seu constante apelo à paz e amor, em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) o declarou “Mensageiro mundial da Paz”.

Hábitos e pensamentos

hábitos de pensamento

As suas inspirações passageiras, ou ideias brilhantes,

não controlam tanto a sua vida como o fazem seus hábitos mentais diários.

Bons hábitos são seus melhores amigos, preserve a força deles com estímulos de boas ações. 

Maus hábitos são seus piores inimigos, contra sua vontade eles lhe obrigam a fazer coisas que lhe machucam mais e mais.

Eles são prejudiciais a sua felicidade física, social, mental, moral e espiritual.

Deixe de nutrir os maus hábitos recusando-se a dar a eles qualquer tipo de alimento adicional de más ações.

Bons ou maus hábitos precisam de tempo para adquirirem força.

Maus hábitos poderosos poderão ser destronados pelos bons hábitos opostos se estes forem cultivados com paciência.

Um mau hábito pode ser rapidamente modificado.

Um hábito é o resultado da concentração da mente.

Você tem pensado de uma certa forma.

Para formar um novo e bom hábito basta concentrar-se na direção oposta.

Através das dificuldades das lições do dia-a-dia,

você verá claramente que os maus hábitos nutrem a árvore dos infindáveis desejos materiais,

enquanto os bons hábitos nutrem a árvore das aspirações espirituais.

Você deve concentrar os seus esforços, cada vez mais,

no desenvolvimento saudável da árvore espiritual,

para que um dia você possa colher os frutos maduros da realização do seu Eu divino.

Seja cuidadoso com o que você decidir fazer conscientemente,

pois, a não ser que sua força de vontade seja muito forte,

será isto que você terá de fazer repetida e compulsivamente

através da força influenciadora dos hábitos da mente subconsciente.

Hábitos de pensamentos são magnetos mentais que atraem para você certas coisas, pessoas e condições.

Enfraqueça um mau hábito, evitando tudo aquilo que o ocasionou ou que o estimulou, porém, sem se concentrar nele.

Dirija então sua mente para bons hábitos e, firmemente, cultive-os até que passem a fazer parte de você.

A verdadeira liberdade consiste no desempenho de todas as ações,

na alimentação, leitura, trabalho e assim por diante, de acordo com o julgamento correto

e escolha da vontade, e não compelido pelos hábitos.

Coma o que deve comer e não necessariamente o que está habituado a comer.

Faça o que deve fazer e não o que seus maus hábitos ditarem.

Você só será uma pessoa realmente livre quando conseguir descartar-se dos maus hábitos.

Você só será uma alma livre quando for um verdadeiro mestre capaz de comandar a si mesmo a fazer as coisas que devem ser feitas, mesmo sem querer fazer.

Nessa força de autocontrole está a semente da liberdade eterna.

Não continue a viver sempre do mesmo jeito antigo. 

Trabalhe a sua mente para que alguma coisa seja feita para melhorar sua vida, e então faça.

Mudar sua consciência, é tudo o que é necessário fazer.

Se você for capaz de se libertar de todos os tipos de maus hábitos 

e de fazer o bem porque quer fazer o bem

e não meramente porque o mal traz tristeza, então você está verdadeiramente progredindo espiritualmente.

Paramahansa Yogananda

 

Seu eu superior sabe o que é melhor pra você

depressão

Quem somos? Por que estamos aqui? Quais são as suas convicções na vida? Durante milhares de anos, a busca das respostas para estas questões significou ir para dentro. Mas o que significa isso?

Acredito num Poder dentro de cada um de nós que nos pode conduzir com amor a uma saúde perfeita, aos relacionamentos perfeitos, às carreiras perfeitas e que nos pode proporcionar toda a espécie de prosperidade. Para alcançarmos esses resultados, temos primeiro que acreditar que isso seja possível. Temos também que estar preparados para nos libertarmos dos padrões nas nossas vidas que causam as condições que dizemos não desejar. Podemos fazê-lo progredindo para dentro, conectando-nos ao Poder Interior que sabe o que é melhor para nós. Se estivermos preparados para entregar as nossas vidas a esse Poder superior dentro de nós, o Poder que nos ama e sustem, podemos trazer mais amor e prosperidade às nossas vidas.

Creio na ligação constante entre as nossas mentes e uma Mente Infinita. Como consequência, todo o conhecimento e sabedoria estão permanentemente disponíveis. Estamos ligados a esta Mente Infinita, este Poder Universal que nos criou, através dessa centelha de luz interior, o nosso Eu Superior, ou o Poder interior. O Poder Universal ama todas as Suas criações. É um Poder do bem que tudo rege nas nossa vidas. Não conhece o ódio ou a mentira ou o castigo. É amor puro, liberdade, compreensão e compaixão. É importante entregarmos as nossa vidas ao Eu Superior porque é através Dele que recebemos o nosso bem.

É necessário compreendermos que temos a escolha de utilizar este Poder de qualquer forma. Se escolhermos viver no passado e remoer todas as situações e condições negativas que então ocorreram, nesse caso não saímos de onde estamos. Se pelo contrário decidirmos conscientemente não ser vítimas do passado e tomarmos a cargo a construção de uma nova vida, esse Poder interior concede-nos todo o apoio e novas experiências felizes começam a desenrolar-se. Não acredito em dois poderes. Penso que existe um Espírito Infinito. É demasiado fácil dizer “É o diabo” ou eles. Somos nós apenas e, ou utilizamos o poder que temos com sabedoria, ou o desperdiçamos. Será que temos o diabo nos nossos corações? Condenamos os outros por serem diferentes de nós? O que é que estamos a escolhendo?

Também creio que contribuímos com os nossos pensamentos, padrões de sentimentos, para a criação de toda e qualquer situação na nossa vida, boa ou má. Os pensamentos criam os sentimentos e vivemos as nossas vidas de acordo com esses sentimentos e convicções. Isto não quer dizer que tenhamos de nos culpar por tudo o que correu mal nas nossas vidas. Há uma grande diferença entre ser responsável e culpar-nos ou aos outros.

Quando me refiro a responsabilidade, na verdade estou falando sobre ter poder. A culpa é um processo de desistência do poder. A responsabilidade atribui-nos o poder de introduzir mudança nas nossas vidas. Se fizermos o papel da vítima, estamos a utilizar o nosso poder pessoal para nos tornarmos indefesos. Se decidirmos aceitar a responsabilidade não perdemos tempo culpando ninguém ou uma coisa qualquer. Algumas pessoas sentem-se culpadas pela doença, a pobreza ou os problemas que surgem. Interpretam a responsabilidade como culpa. Estas pessoas sentem-se culpadas por julgarem que falharam em alguma coisa. No entanto, de uma maneira ou outra, aceitam tudo como uma onda de culpa, porque essa é apenas mais uma maneira de se enganarem. Mas não é disso que estou dizendo.

Se aproveitarmos os nossos problemas e doenças como oportunidades para pensar sobre como mudar as nossas vidas, então temos poder. Muitas pessoas que atravessaram períodos catastróficos de doença afirmam que as implicações desse acontecimento foram maravilhosas, ao proporcionar-lhes a hipótese de olhar para a vida de uma maneira diferente. Por outro lado, muita gente vai por aí chorando “Sou uma vítima, coitado de mim. Por favor, doutor, cure-me.” Penso que vai ser muito difícil estas pessoas curarem-se ou resolverem os seus problemas.

Responsabilidade é a nossa capacidade de reagir a uma situação. Temos sempre escolha. Isto não quer dizer que neguemos quem somos e o que temos nas nossas vidas. Significa tão somente que podemos reconhecer que contribuímos para estar onde estamos. Assumindo a responsabilidade, temos o poder de mudar.

 

 Louise L. Hay

Publicado por José Batista de Carvalho / Universo Natural

O sal e a dor

sal na água

“O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.
– Qual é o gosto? – perguntou o Mestre.
– Ruim. – disse o jovem sem pensar duas vezes.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse junto com ele ao lago. Os dois caminharam em silêncio, e quando chegaram lá o mestre mandou que o jovem jogasse o sal no lago. O jovem então fez como o mestre disse.
Logo após o velho disse:
– Beba um pouco dessa água.
O jovem assim o fez e enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:
– Qual é o gosto?
– Bom! – o jovem disse sem pestanejar.
– Você sente o gosto do sal? – perguntou o Mestre.
– Não. – disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
– A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem em detrimento ao que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um Lago.”

O passado não condena

Li esta crônica hoje e me encantei. É mesmo…. tempos depois, a gente se vê lá atrás e comenta internamente como fui…. como sou…. Nem sempre se condena, mas sempre se percebe as diferenças com o passar dos anos, sempre se surpreende com as mudanças que acabam ocorrendo sem nem percebermos. Gostei da sensação de um balanço a cada cinco anos. Acho que até vou parar pra fazer um de bem mais de cinco anos. E vou anotar minhas constatações. Creio que dará uma boa história.

passagem do tempo

“Há cinco anos eu me detestaria

Eu mal me reconheceria se tivesse acesso a quem sou hoje, com meus tímidos, porém presunçosos vinte e poucos anos. Não vou longe nesta escavação rumo ao passado. Estou tomando como parâmetro aqui, apenas cinco, no máximo sete anos.

É, a verdade é que o moleque daqueles tempos não iria a nenhuma das festas às quais frequento de vez em quando. Ele não estaria ouvindo o bom e velho Tim Maia com a mesma paixão que eu ouço. Ele teria sono ao se deparar com os solos do velho Eric Clapton. Blues dos anos vinte, jazz e ragtime? Não, nem pensar. Vinícius de Moraes, Cartola e Noel Rosa? Só se fosse para dormir.

Ele não olharia aquela menina de óculos como eu olho hoje. Ele não ouviria aquela belezinha de uma cidade remota do sul como eu ouço. Ele sequer consideraria metade das propostas de sossego que me fazem reconsiderar muitos dos meus planos de solteiro para futuros brilhantes. Tenho certeza que não.

Diante de uma destas possibilidades, tenho convicção que ele torceria o seu estranhamente seletivo bico. E olha que ele não era nem de longe alguém na posição de poder escolher. Não mesmo.

Hoje, se ele tivesse a chance de me observar, mesmo que em silêncio, tenho certeza que ficaria enojado ao me ver rezando para ficar em casa aos finais de semana, hibernando até que chegue a segunda-feira. Tenho certeza absoluta que, se um dia ele sonhasse que eu estaria no meio do mato, meditando o dia inteiro em um retiro, ele pediria para ficar paralisado ali mesmo no seu tempo e nunca chegar até onde estou. Quanta chatice!

Tenho certeza também que ele jamais sairia da cidade onde cresceu ou viria morar em São Paulo, a antítese de tudo aquilo que ele considerava uma boa vida. Lembro que ele gostava da sua terrinha. Do conforto de onde estava. Da pseudo-certeza da eternidade das amizades que alimentava até então.

Lembro que ele sonhava chegar aos trinta anos tocando Angra ou Iron Maiden com seus amigos, fazendo churrascos. Comendo muita, mas muita carne. Nem de longe ele se imaginaria vegetariano. Nem de longe ele se orgulharia da posição onde estou agora. Certeza.

Tudo bem, garoto. Eu sei que você não tem culpa. O melhor que você tinha para imaginar o seu futuro eram aqueles gostos, aqueles amigos, aqueles sonhos. A gente esquece que qualquer projeção sobre o futuro é apenas uma reflexão sobre o que temos em mãos no presente, uma extensão da comodidade que a gente vive.

Às vezes, a pior coisa que se pode fazer é ser coerente. É ter medo de ser hipócrita. Querer fazer sentido, se manter fiel às origens. Nem sempre o melhor é ter tanta certeza.

E imaginar que daqui a dez anos vou rir de quem hoje eu penso que vou me tornar.

Porém, meu velho amigo do passado, posso dizer-lhe uma coisa: ser vegetariano em 2013, no bairro de Perdizes, vivendo em São Paulo, não é tão ruim assim quanto lhe parecia naquele comecinho dos anos 2000.

Enquanto você estava aí, achando que ouvir Heavy Metal e variar um pouco os discos com Jet, White Stripes, The Strokes e cantar em uma banda cover de Led Zeppelin eram a coisa mais transgressora do mundo, venho por meio desta carta despretensiosa decepcionar-lhe.

Transgressor mesmo é ser vegetariano e comer no Zé do Hambúrguer. Mesmo sem carne, o melhor hambúrguer de São Paulo.”

LUCIANO RIBEIRO – Editor do PapodeHomem, designer de produtos, apaixonado por ilustração, fotografia e música. Ex-vocalista da banda Tranze (rock’n roll). Escreve, canta, compõe