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Aos Amigos

Aos meus amigos muito amados, um poema de J.L.Borges que fala do enorme carinho

e de como é bom estarmos juntos nesta caminhada. Sonia K.

flores lindas

Não posso dar-te soluções

Para todos os problemas da vida,

Nem tenho resposta

Para as tuas dúvidas ou temores,

Mas posso ouvir-te

E compartilhar contigo.

Não posso mudar

O teu passado nem o teu futuro.

Mas quando necessitares de mim

Estarei junto a ti.

As tuas alegrias

Os teus triunfos e os teus êxitos

Não são os meus,

Mas desfruto sinceramente

Quando te vejo feliz.

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Não julgo as decisões

Que tomas na vida,

Limito-me a apoiar-te,

A estimular-te

E a ajudar-te sem que me peças.

Não posso traçar-te limites

Dentro dos quais deves atuar,

Mas sim, oferecer-te o espaço

Necessário para cresceres.

Não posso evitar o teu sofrimento

Quando alguma mágoa

Te parte o coração,

Mas posso chorar contigo

E recolher os pedaços

Para armá-los novamente.

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Não posso decidir quem foste

Nem quem deverás ser,

Somente posso

Amar-te como és

E ser teu amigo.

Todos os dias, penso

Nos meus amigos e amigas,

Não estás acima,

Nem abaixo nem no meio,

Não encabeças

Nem concluís a lista.

Não és o número um

Nem o número final.

E tão pouco tenho

A pretensão de ser

O primeiro

O segundo

Ou o terceiro

Da tua lista.

Basta que me queiras como amigo

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Dormir feliz.

Emanar vibrações de amor.

Saber que estamos aqui de passagem.

Melhorar as relações.

Aproveitar as oportunidades.

Escutar o coração.

Acreditar na vida.

Obrigado por seres meu amigo.

Jorge Luis Borges

Dá um tempo

Este poema me foi enviado por uma amiga-irmã de alma e coração, sabendo que ia exprimir todo o anseio e sentimento que tenho em mim neste período. Nada como se ter a benção de amizades tão profundas mesmo que tenras, cercando nossa caminhada. Torna o caminho mais ameno, com mais flores, com mais paciência e entusiasmo para enfrentar os bons e maus momentos. Reparto com essa amiga amada o poema tão lindo e fiz questão de registrá-lo aqui, meu cantinho tão amado, para tê-lo sempre à mão, aos olhos, ao coração e à alma, sequiosos todos de carinho e compreensão. Obrigada, lá do fundo, querida Edilene.

ampulheta

Se o teu lugar agora

parece-te frio e sem atrativos…

Se não há ninguém agora

que te inspire a falar ou a ouvir…

Se o vento lá fora

parece não soprar a teu favor…

Se nenhuma palavra

consegue agora tocar o teu coração…

Se não sentes vontade

de nada…

Se queres simplesmente

fazer nada…

Se as coisas da Terra

parecem-te opacas e sem graça…

Se as coisas do Céu agora

parecem-te mentiras,

histórias inventadas…

Se teu corpo não quer exercícios,

não quer esforços…

só quer espreguiçar-se!

Se agora nada desperta

a tua vontade de crescer,

de ir adiante,

de abraçar aventuras,

desafios, novas metas, sonhos …

Se para tuas perguntas

não chegam respostas…

Se olhas o relógio

como a um inimigo cobrador…

Dá um Tempo!!!

O mar não espera pelo rio,

no entanto o rio chega.

As árvores não anseiam por novas folhas,

no entanto elas brotam.

As flores não imploram por chuvas,

mas as chuvas – cedo ou tarde – caem.

Os pássaros não se preocupam com o céu,

entretanto o céu lá está.

O dia não guarda ansiedade

pelo descanso da noite

e ainda assim ela chega.

A noite não se abala com a própria escuridão,

repousando na certeza de que o dia virá.

A semente precisa

do escuro da terra

para abrir-se à luz

na hora mais acertada.

Deus não apressa as sementes:

Ele as conhece e respeita o tempo.

Se neste momento

és semente…

Sossega!

Respeita-te!

Dá um tempo!

Sílvia Schmidt

Uso a palavra para compor meus silêncios

Descobri, sim, tenho de dizer que descobri pois não o conhecia. Não sei como ainda não, pois me encantou com algumas coisas dele que li recente. Mas acho que é assim mesmo. A gente não conhece, é apresentada e fica apaixonada. Manoel de Barros é minha mais nova paixão. E vou trazer pra cá outros lindos poemas dele, pois aqui é meu cantinho preferido, onde gosto de estar, de passar momentos tranquilos, sentidos e repartidos com os que gosto. 

belezas naturais

Não uso das palavras

Fatigadas de informar.

Dou mais respeito

Às que vivem de barriga no chão

Tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas.

Dou importância às coisas desimportantes

E aos seres desimportantes

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade das tartarugas mais do que as dos mísseis.

Tenho em mim esse atraso de nascença

Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios

Amo os restos

Como boas moscas.

Queria que minha voz tivesse formato de canto

Porque não sou da informática

Eu sou da invencionática.

Só uso minhas palavras para compor meus silêncios.

Manoel de Barros

Vocabulário p/a posteridade

 Letras que se juntam, se agasalham entre si, vão formando palavras que, por sua vez, trazem significado para o que falamos e sentimos. Aqui fica o registro de algumas para serem usadas e explicadas, se necessário explicá-las. O autor diz que registrou para ficar mais fácil a compreensão para os netos quando ele não estiver por perto para atendê-los diretamente. Uma linda e poética  forma de exposição de palavras.

letras

Adeus: É quando o coração que parte deixa a metade com quem fica.

Amigo: É alguém que fica para ajudar quando todo mundo se afasta.

Amor ao próximo: É quando o estranho passa a ser o amigo que ainda não abraçamos.

Caridade: É quando a gente está com fome, só tem uma bolacha e reparte.

Carinho: É quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo.

Ciúme: É quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo.

Cordialidade: É quando amamos muito uma pessoa e tratamos todo mundo da maneira que a tratamos.

Doutrinação: É quando a gente conversa com o Espírito colocando o coração em cada palavra.

Entendimento: É quando um velhinho caminha devagar na nossa frente e a gente estando apressado não reclama.

Evangelho: É um livro que só se lê bem com o coração.

Evolução: É quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás.

: É quando a gente diz que vai escalar um Everest e o coração já o considera feito.

Filhos: É quando Deus entrega uma jóia em nossa mão e recomenda cuidá-la.

Fome: É quando o estômago manda um pedido para a boca e ela silencia.

Inimizade: É quando a gente empurra a linha do afeto para bem distante.

Inveja: É quando a gente ainda não descobriu que pode ser mais e melhor do que o outro.

Lágrima: É quando o coração pede aos olhos que falem por ele.

Lealdade: É quando a gente prefere morrer que trair a quem ama.

Mágoa: É um espinho que a gente coloca no coração e se esquece de retirar.

Maldade: É quando arrancamos as asas do anjo que deveríamos ser.

Mediunidade com Jesus: É quando a gente serve de instrumento em uma comunicação mediúnica e a música tocada parece um noturno de Chopin.

Morte: Quer dizer viagem, transferência ou qualquer coisa com cheiro de eternidade.

Netos: É quando Deus tem pena dos avós e manda anjos para alegrá-los.

Obsessor: É quando o Espírito adoece,manda embora a compaixão e convida a vingança para morar com ele.

Ódio: É quando plantamos trigo o ano todo e estando os pendões maduros a gente queima tudo em um dia.

Orgulho: É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante.

Paz: É o prêmio de quem cumpre honestamente o dever.

Perfume: É quando mesmo de olhos fechados a gente reconhece quem nos faz feliz.

Pessimismo: É quando a gente perde a capacidade de ver em cores.

Preguiça: É quando entra vírus na coragem e ela adoece.

Raiva: É quando colocamos uma muralha no caminho da paz.

Reencarnação: É quando a gente volta para o corpo, esquecido do que fez, para se lembrar do que ainda não fez.

Saudade: É estando longe, sentir vontade de voar, e estando perto, querer parar o tempo.

Sexo: É quando a gente ama tanto que tem vontade de morar dentro do outro.

Simplicidade: É o comportamento de quem começa a ser sábio.

Sinceridade: É quando nos expressamos como se o outro estivesse do outro lado do espelho.

Solidão: É quando estamos cercados por pessoas, mas o coração não vê ninguém por perto.

Supérfluo: É quando a nossa sede precisa de um gole de água e a gente pede um rio inteiro.

Ternura: É quando alguém nos olha e os olhos brilham como duas estrelas.

Vaidade: É quando a gente abdica da nossa essência por outra, geralmente pior.

Texto retirado do livro: “O homem que veio da sombra” de Luiz Gonzaga Pinheiro

O abraço que eu quero

Hoje eu queria um abraço.

Daqueles bem apertados, de peito aberto pra eu me aconchegar e só ficar.

Não precisava nem falar nada. Só apertar e permanecer.

E então eu sentir o cheiro, o coração batendo, uma força me amparando.

Só um abraço daqueles que abre os braços e me colhe como se eu fora uma flor ou uma criança que se deixa envolver.

Eu ficaria horas assim, sem palavras, sem cansaço, com ternura e talvez com amor. Porque o amor é mais ou menos assim, leve, suave, que aperta e não afoga, que prende, mas não amarra, que fala em silêncio, que escuta sem palavras,  que afaga e não cobra, que deixa ficar e permanece. A amizade e o querer bem às vezes se vestem de amor e chega e acalanta, mesmo sem a paixão que só esquenta, mas não aquece.

Queria muito hoje esse abraço para cobrir uma carência que nem explico e talvez feita só de não estar sendo abraçada e envolvida. Um abraço que chegasse feito só de carinho e estar. Que se instalasse em meu dia e ficasse até que o sol se escondesse e as estrelas chegassem. Ficaríamos em silêncio, falando de tudo e de nada. Quem sabe até mais de nada do que de tudo.

Esse abraço sem rosto ou formato definido, é só um abraço de braços que me acariciam a alma e completam meu ser. É o invólucro do vazio que sinto sem ele.

Hoje eu só queria um abraço…….