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O Relógio do Coração

relógio águaHá tempos em nossa vida que contam de forma diferente.

Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.

Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.

Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.

Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.

Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.

Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.

Há eventos que marcaram, e que duram para sempre,o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado.

Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.

Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.

Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.

O relógio do coração – hoje eu descubro – bate noutra freqüência daquele que carrego no pulso.

Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.

Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.

É olhar as rugas e não perceber a maturidade.

É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.

Pense nisso.

E consulte sempre o relógio do coração: Ele te mostrará o verdadeiro tempo do mundo.

Mário Quintana

Senhora é a vovozinha!!

vovozinhaEsta postagem me fez parar pra pensar nos “quando” da vida.

Li inteira no blog de meu amigo Oswaldo (Idade Certa) e providenciei de imediato uma resposta às colocações feitas (veja no final da matéria).

Raramente me chamam de senhora e não vejo isto como ruim… acho até bom! Não sei se é utopia pensar que a juventude está na alma, mas que é bem melhor achar que sim, não há dúvida. A questão do envelhecer é algo pensável. Quando a idade vem chegando encontramos justificativas pra algumas coisas que nos irritam – desde muito jovens, desde sempre  –  e jogamos sobre a idade a falta de paciência em aceitar. Mas, ao mesmo tempo, dentro da alma ainda encontramos tanta sede de viver, tantos sonhos a realizar, vemos tanta beleza na vida e nos contatos com pessoas inteligentes, rápidas de pensamento, distribuidoras de alegria e amor, que o tempo torna-se mero detalhe.

“Senhora, eu?

Senhora é a vovozinha. A sua vovozinha, porque a minha continua amassando pão e revolvendo a horta! E ainda pisca o olho para o gerente do banco, a danadinha.

Quando foi que começaram a me chamar de senhora? Será que eu sei?

Será que foi quando aquele rapaz me deixou passar na frente na fila do supermercado?

Será que foi quando eu fui pintar o cabelo, não para ficar “fashion“, mas para esconder os brancos?

Será que foi quando passei chispando pela lojinha de jeans e entrei na de roupas clássicas?

Será que foi quando eu comentei com o colega mais novo que ele tinha que sair mais porque, afinal, no meu tempo a gente saía de montão?

Será que foi quando bocejei desesperadamente naquela festa, louca pelo meu pijama velhinho e os meus lençóis de algodão?

Será que eu sei?

Será que foi quando escolhi a estação de águas para passar o feriadão?

Será que foi quando me escandalizei com o beijo daquele casal na rua?

Será que foi quando disse “antigamente” pela primeira vez?

Será que foi quando parei de usar calcinha cavada?

Será que foi quando decidi pelo marrom ao invés do pink?

Quando foi mesmo que começaram a me chamar de senhora?

Será que foi quando perdi a paciência com aquela criança no restaurante?

Será que foi quando parei de passear a esmo?

Será que foi quando me senti satisfeita com apenas um abraço e uma “boa noite”? E dei graças a Deus?

Será que foi quando me resignei com aquela injustiça?

Será que foi quando disse sim quando queria dizer não?

Será que eu sei?

Quando? Quando foi que começaram a me chamar de senhora?

E quando foi, meu Deus, que eu comecei a aceitar?”

(Sara Maria Binatti dos Anjos)

(meu comentário ao post):

É a vovozinha!…. E a sua!…. rsrsrs
Sei lá, amigo, quando foi que comecei a me sentir MENOS JOVEM.vó
O pessoal ainda me chama de VOCÊ e até estranho, pois os amigos de meus netos o fazem, a moça que trabalha aqui em casa, o pessoal que me atende no mercadinho, na farmácia (??), o guarda noturno… Às vezes até comento e meu neto mais velho diz que é porque sou uma pessoa a vontade, que não intimida os jovens, que converso e brinco o tempo todo. Será que sou assim? Já me irrito tanto com barulho, com crianças… quero ficar no meu canto ouvindo minhas músicas, escrevendo, lendo. Por vezes minhas filhas dizem que estou ficando igual minha mãe, implicante e chata.
Será? Tenho que pensar seriamente em tudo isto. Mas, por enquanto, “vovozinha é a mãe…” Grande abraço da Sonia

 

Perguntas

Você crê em amor?

Não creio em você.

Você existe?

Não lhe descubro a espécime.

Pertence a algum tempo?

Desconheço sua origem.

Está vindo ou já foi?

Não o vejo no mundo.

Minha idade é assunto meu

O peso psicológico e social dos aniversários pode ter um impacto limitador na vida das pessoas. A solução é se livrar dos estigmas

Carina Martins, iG São Paulo

A recusa da jornalista Glória Maria em revelar sua idade já se tornou célebre. Para ela, isso não é assunto. Mas as pessoas continuam perguntando e querendo avaliar se ela está “bem” para a faixa etária, seja lá o que isso signifique. E, enquanto perguntam, nos últimos dois anos a jornalista tirou um período sabático, reorganizou sua carreira, namorou e tornou-se mãe. Não é pouca coisa em nenhuma fase da vida. Na semana passada, fez aniversário: 61 anos, supostamente. Será que teria feito tanta coisa se tivesse passado o mesmo período contando aniversários e com medo da faixa oficial da “terceira idade”? Sim, os números podem causar tanto ou mais impacto psicologicamente do que na quantidade de rugas. “Depende da forma como as pessoas encaram as coisas. Nossa sociedade valoriza a juventude e as datas acabam pesando. Quantas garotas que chegam aos 30 anos solteiras me procuram desesperadas e se casam com o primeiro tonto que aparece?”, diz a psicóloga Olga Tessari, autora do livro “Dirija Sua Vida Sem Medo” (Ed. Letras Jurídicas).A ideia de que existem coisas permitidas, proibidas e obrigatórias direta e exclusivamente relacionadas à idade cronológica pode causar danos que vão desde escolher um marido qualquer, como no caso das pacientes de Olga, até prejuízos reais à saúde. Um estudo realizado pela North Carolina State University mostrou que idosos tinham um desempenho muito pior em testes de memória quando tinham sua idade apresentada como um fator relevante. Aqueles que diziam acreditavam que idosos tinham memória ruim iam ainda pior.Para evitar um desgaste desnecessário além dos inevitáveis cabelos brancos (que, como qualquer outra consequência de envelhecimento, chegam para cada um em idade e quantidade diferente), Olga sugere que as pessoas, especialmente as mulheres, se permitam descartar o julgamento que os outros podem fazer da data impressa em seu RG. “A pessoa que vive em função da idade na verdade está preocupada com a opinião dos outros. Quem não revela a idade ou não pensa nisso pouco se importa com o que os outros falam”, diz. Não se importa com o que os outros falam nem com as metas estabelecidas externamente para cada faixa etária.Mas mentir o número de aniversários é ainda pior. “Se você mente, é porque tem medo da crítica do outro”, alerta a psicóloga. A solução, portanto, seria fazer como Gloria Maria e tratar a idade como assunto realmente pessoal. “Ou assumir e deixar claro que o que os outros acham que você deveria estar fazendo na sua idade não te interessa”, diz.

Quanto

Quanto tempo estou calada.

Quanto de vida se escorreu em mim.

Quanto de morte se chegou e se foi.

Quanto de sorrisos se esvoaçou.

Quanto de lágrimas me jorrei.

Quanto fui e não serei.

Quanto nem pensei e sou.

Quanto de vida me esquivei.

Quanto de perguntas fugi.

Quanto de respostas eu dei.

Quanto de tanto eu fui.

Quanto de ser serei.

Perguntas ou respostas?

De repente

 

 

De repente eu sou, eu vibro, eu vivo.

De repente eu morro.

De repente sou vida.

De repente sou morte.

De repente existo.

De repente me transformo em dúvidas.

De repente sou,

De repente deixo de ser.

De repente respondo.

De repente me calo.

De repente exclamo

Um sonoro por quê?

De repente respondo todas as perguntas.

De repente sou uma dúvida.

De repente sou todas as respostas.

Sou só um de repente.

Tempo de sonhar

Existe um tempo pra amar?

E pra se amar um alguém em sonhos?

Existe um tempo para sonhar?

E pra realizar um sonho em pensamento?

Um sonho pode ser real?

Ou real é tão somente o que se toca?

Pode ser real um toque

só porque sonhado intensamente?

São só perguntas de sonhadora,

realidades de quem sabe sonhar.