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Solidão

 Este poema circulou por diversas ocasiões como sendo de Chico Buarque. 
Dentre pesquisas que fiz, na realidade é de autoria de FÁTIMA IRENE PINTO,
 fazendo parte de publicações suas como Ecos da Alma e Palavras para 
Entorpecer o Coração.

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…

Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar…

Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…

Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida…

Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…

Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma…. 



Não ser

Ser um corpo somente,

possuidor de carne,

ossos e movimentos.

Ser uma matéria pura,

um chute do universo,

uma bola quadrada,

jogada e pisada.

Ser tudo e nada ser.

Não ter amor,

não querer bem,

não sorrir, não chorar, nem sentir.

Nada ser para nadar dar, nada receber.

Nada fosse,

não seria a alma em seu caminho,

o amor que despreza sem conhecimento.

Desencontro

Você pensa que estou sorrindo.

Olhe meus olhos,

veja se neles encontra alegria.

Repare meus lábios.

procure neles franqueza.

Será que você sabe que existo?

Tudo se transforma e as pessoas, com o tempo,

podem se tornar só uma peça.

Sinta o vazio que há entre nós.

Perceba a distância dessas vidas paralelas.

Quem sou eu? Quem é você? Qual sua meta?

Haverá em mim algum objetivo?

Você caminha cego e já não creio que estejamos juntos.

Não sei onde fiquei ou onde o deixei.

Não percebo se somos ou nos deixamos.

SK/71

Pobreza

Poema e imagem copiados do facebook de Maria Alzira Roque

Sim, essa mesmo.

Aquela que ninguém gosta,
De que todos têm muita pena.
Mas da qual, quase todos, mais
Que pena, têm nojo!…

Nojo dos pobres, mais ainda do
Que do cheiro!
Nojo, sim! Porque nem coragem
Têm de encará-la, muito menos
De a acabarem!
Que nojo!

Esquecem-se, governos e pessoas,
Que pobres e ricos têm cheiro igual.
Tirem-lhes a água e o sabonete – e
Vejam!
Água e sabonete
Que tiram aos pobres!

Casa e comida, nem falar – são pobres!
Saúde, educação e trabalho – nem sonhar!
Cultura, lazer e desporto – isso é luxo!
Pobres não precisam dessas coisas!

Quando pedem esmola duas coisas acontecem:
Ou se lhes dá alguns tostões – mais não precisam
Porque pobres são – ou se lhes diz: vai trabalhar!
Alguns, ainda dizem: não dou porque vais bebê-los!
Auxílio, caridade, esmola – não!
Interessa sim vermo-nos livres deles!

Nem nos cruzamentos podem pedir esmola!
Quando uma esmola lhes é negada, também
Já os ouvi a agradecer: “Vá com Deus!”

LIBERDADE

Eu falo em liberdade desde que me conheço por gente. Ainda pequena eu queria crescer logo pra poder ser livre, sair, trabalhar, me realizar sem interferências de pai, mãe ou outros. Dizia que queria morar sozinha. E foi um sonho que tive pela vida afora, que ainda não consegui realizar.

Acabei por morar com meus pais até o casamento, quando passei a dividir o espaço com o marido e vieram os filhos que ocuparam grande pedaço e vieram os lances da vida trazendo minha mãe e irmão para junto de mim novamente e fui caminhando sempre na divisão do tal espaço que eu idealizava só meu.

Tive meu quarto só pra mim com muito esforço, pois com crianças sempre temos alguém querendo dividir a cama. Consegui, meio neuroticamente, ter meu lugar marcado à mesa de refeições, meu jogo de talheres de cor diferente, meu copo em formato que difere dos outros, meu sofá na sala e… o espaço sempre dividido.

Dizem que eu considero o ser só como algo muito bom e necessário ao ser humano porque nunca estive só, nunca contei com a solidão. Sempre discordo de tal colocação, até porque acho que solidão é algo que está dentro de cada um com maior ou menor intensidade.

Ouço e leio sobre pessoas que têm enorme vazio dentro de si, que falam em solidão como uma dor. Talvez essa solidão que dizem doer, seja algo inerente ao próprio ser e não um vazio de divisão de espaço.

Liberdade pra mim é algo maior. Algo que está instalada dentro de minha alma. Sou livre por natureza. Nunca consegui seguir regras, ter disciplina rígida, obedecer ao pé da letra. Sempre encontrei  forma de sair de qualquer coisa que me segurasse no que eu queria fazer. E fui vivendo sem amarras, conseguindo driblar situações que me incomodavam. Imagine que, na juventude –  bem jovem mesmo, pois iniciei no trabalho cedo –  até piquei cartão de ponto numa das primeiras empresas que trabalhei, pois achava um abuso ser cronometrada quando nunca me negava a ficar bem depois do horário cobrindo necessidades.

Sempre fui muito independente e detestei em todas as ocasiões ter a perspectiva de depender de alguém. Até quando me divorciei, fiquei com as duas meninas pequenas, mas dispensei pensão alegando que tinha condições de mantê-las com meu trabalho e sempre o fiz de forma muito digna. Confesso hoje em dia que poderia ter contado com alguma colaboração do pai, o que teria me onerado menos e até poderia ter tido oportunidade de mais viagens e férias. Mas valeu a forma que escolhi na ocasião.

Um grande amigo meu, um alemão muito especial, que tinha muitos anos a mais de vida, sempre me dizia: ” querrida, o que não te derruba só te fortalece”. E é verdade. Lutando a gente vai tendo consciência do quanto se pode ser forte e destemida.

E com esta forma de ser e pensar, não devo ter sido uma boa educadora, não conseguindo instalar em meus filhos a questão da disciplina, regras, obrigações. Mas, se realmente o exemplo é a melhor forma de ensinar, espero ter conseguido repassar a questão de responsabilidade e força para enfrentar a vida. Pois, mesmo sem muita disciplina, sou danadamente responsável com tudo e todos, tentando sempre não faltar com minha presença nos principais momentos, colaborando no que posso e, por vezes, até no que não posso.

Agora, já dobrando no tempo, permaneço com minha ideia de poder um dia desses morar sozinha. Será uma experiência que ainda não tive e que me empolga. Será que logo mais vou poder?

Hoje já me sinto mais enfraquecida diante da vida, dos afazeres, com menos condição física pra enfrentar o dia a dia. Mas ainda assim me entusiasmo com a idéia e afinal sonhar é algo que faz bem pra alma, mesmo sabendo que poderá não deixar de ser só um sonho que permanecerá.

Sonia K.

24/9/2012

Apatia

Sinto-me tão apática frente à vida…

Parei agora tentando pensar em alguma coisa.

Não me ocorreu nada.

Um vazio enorme.

Uma falta de perspectiva que até machuca.

Não deveria nem estar escrevendo agora.

Melhor seria dormir. Ao menos estaria descansando,

alheia ao mundo e de mim.

Há dias em que não me encontro em nada.

Nem na música – que adoro – nem no pensamento,

nem na leitura, nem no escrever.

Sinto-me uma tola em meio a tudo isso.

Seria bom ser movida a pilha.

Hoje a pilha acabaria e eu não funcionaria nem trocando.

Daria defeito na engrenagem,

ia precisar de um técnico, mas ficaria bem apagada.

Mas já que não sou a pilha, vamos lá, empurrando um dia a mais pra acabar.

SK/80

Miséria Humana

Passo e olho aquelas figuras
todas tristes,
marcadas pela vida, enrugadas, rostos inchados,
olhares perdidos
que se elevam para o nada.
Dias soltos no tempo e espaço,
sem perspectivas de futuro.
Vivem o dia, o momento, o instante.
Não param nem pra pensar.
E pensar o que dentro de tanto vazio?
Passo… olho com o peito apertado.
E nada mais.
Só passar, olhar, sentir a dor daquela miséria.
Só pensar naquele vazio que pode ser a vida.
E calar sobre o que é a vida naquelas almas.