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A criança que fui

a criança que fui

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O Segredo da Saúde mental e corporal

Louise L. Hay –  professora de metafísica e autora de 14 best sellers, traduzidos para vinte e três idiomas e distribuídos para 30 países.
Estou relendo e mantenho na cabeceira, um de seus livros mais famosos “V.Pode Curar sua Vida”.  – Comprei uma das primeiras edições, há muitos anos, quando ainda morava em SP.  Lembro-me que o emprestei para um amigo e, como geralmente acontece, livro que se empresta não volta (por isto não gosto de emprestar quando gosto muito do livro). Agora, morando no interior, outro dia entrei num brechó e encontrei o livro novamente que pulou aos meus olhos. Vale a pena o contato com esta sábia escritora que, desde 1981 vem ensinando milhares de pessoas a descobrir e usar o pleno potencial de seus próprios poderes criativos para a autocura e a evolução espiritual.

livro v. pode curar

“O segredo da saúde mental e corporal está em não se lamentar pelo passado,

não se preocupar com o futuro,

nem se adiantar aos problemas, mas viver sábia e seriamente o presente.”

Buda

mandala verde para saúde

(Mandala verde para saúde física e mental)

Se você deseja obter uma saúde melhor, há sem dúvida algumas coisas que não deve fazer: não se zangue com seu corpo nem se queixe dele por nenhum motivo. A raiva é uma afirmação poderosa que diz ao seu corpo que você o detesta ou detesta algumas partes dele. Suas células estão sempre atentas a cada um dos seus pensamentos.

Pense em seu corpo como um funcionário que trabalha ao máximo para manter você em perfeita saúde, independentemente de como você o trate.

Seu corpo sabe se curar.

Se você lhe der alimentos e bebidas saudáveis, exercício, suficientes horas de sono e tiver pensamentos positivos, o trabalho será fácil. As células estarão trabalhando em uma atmosfera feliz e saudável.

Mas se você ficar diante da tevê, empanturrando-se de comida gordurosa e refrigerante, se não dormir o suficiente, se viver resmungando e se irritando o tempo todo, as células do seu corpo estarão trabalhando numa atmosfera desfavorável. Se este é o seu caso, não admira que seu corpo não seja tão saudável quanto você gostaria.

Você nunca criará uma boa saúde falando das suas doenças ou ocupando seu pensamento com elas.

A boa saúde é resultado do amor e da admiração.

não se ausente

Você deve tratar seu corpo com o máximo de amor.

Fale com ele e o elogie de forma carinhosa.

Se uma parte do seu corpo está doente ou sente algum desconforto, trate-a com o cuidado que teria com uma criança adoentada. Diga-lhe o quanto a ama e que está fazendo o que pode para ajudá-la a se recuperar rapidamente. Se você estiver doente, não basta ir ao médico para que este lhe prescreva remédios. Seu corpo está lhe dizendo que você anda fazendo algo que o está prejudicando. É preciso aprender mais sobre saúde – quanto mais você souber, mais fácil será cuidar do seu corpo.

Não escolha se sentir uma vítima.

Se fizer isso, estará abrindo mão do seu poder.

Leia um dos muitos bons livros que ensinam como nos mantermos saudáveis ou vá a um nutricionista para montar uma dieta preparada especialmente para você. Mas, faça o que fizer, crie uma atmosfera mental saudável e feliz. Seja um participante ativo do seu próprio projeto de saúde.

Acredito que criamos cada uma das doenças do nosso corpo.

O corpo, assim como tudo o mais na vida, é um espelho dos nossos pensamentos e crenças. Ele está sempre falando conosco; para ouvi-lo, basta que dediquemos tempo e atenção. Toda célula do corpo reage a cada pensamento nosso e a cada palavra que dizemos.

Padrões contínuos de pensamento e fala produzem comportamentos corporais e estados de espírito, produzem saúde ou doença. Quem está permanentemente com uma expressão carrancuda não ficou assim por ter pensamentos alegres e amorosos. Os rostos e corpos das pessoas de mais idade mostram claramente quais foram os padrões de pensamento de uma vida inteira.

Aprenda a aceitar que sua vida não é uma série de eventos ao acaso e sim uma jornada de crescimento. Se você viver todos os dias com esta consciência, nunca envelhecerá, apenas continuará a se desenvolver.

Então mude seu modo de pensar agora e vá em frente!

Você está no mundo por um motivo importante e tudo de que precisa está ao seu alcance.

Você pode optar por ter pensamentos que criem uma atmosfera mental que contribua para a doença ou por ter pensamentos que criem uma atmosfera saudável tanto dentro de você quanto à sua volta.

Louise Hay

– texto publicado por  José Batista de Carvalho –  Universo Natural

O Tempo

Com muito carinho reproduzo aqui um poema de Gelson Zumbano, advogado, escritor, poeta, irmão de minha querida amiga Enide e de minha tia muito amada Idene. Era um homem de gestos calmos, fala mansa, uma cabeça incrível. Um homem citado  na família como “muito fino” forma que se falava na época. Parece-me que teve um namorico com minha mãe enquanto solteiros e comentavam ainda quando eu era menina. Fica aqui minha homenagem a ele e às queridas citadas.
ampulheta

Uns não têm tempo, nem de pensar em tempo.

Outros têm tempo e perdem todo o tempo

Muitos não podem reaver o tempo

Perdidos nesse afã de ganhar tempo.

 

 De que sóis, de que céu surge o Tempo?

Ele vem manso, consumindo o tempo

De quem ficou sonhando tanto tempo

E que não viu passar o tempo.

 

O tempo lento leva todo tempo

A destruir, no evoluir do tempo,

A vida de quem já perdeu o seu tempo.

 

Mas aquele que vê findo o tempo

Há se sentir saudade desse tempo

Na quimera dos sonhos do seu tempo

 

Separação

Lindo poema! Quem já viveu situação semelhante entende bem e sente perfeitamente cada palavra. Construir uma vida até que não é difícil, mas desconstruí-la é penoso e dolorido. Mesmo que haja motivos consideráveis, a sensação é de vazio, de perdas, de um castelo construído na areia. Lógico que o tempo cura tudo, afinal nada é para sempre. Somos nós também passageiros. 

 

Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.
O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juizo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
– pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de botar a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afetos natimortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo               
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.

Affonso Romano de Sant’Anna

(O jornalista e poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna (foto) descreve no poema “Separação”,tudo quanto acontece quando se desmonta a casa e o amor: sentimentos,momentos,conversas,filhos, vizinhos,perplexidade,futuro,indecisão, etc. (comentário de Oswaldo Amaral / blog Idade Certa de onde retirei a transcrição do poema)

A Herança

Desfrutar do que Antonio Carlos escreve é um presente que a gente ganha em cada postagem sua no Estrela Binaria. Seu brilhantismo (me orgulha que seja da família) tanto em prosa como em verso sempre emociona e cala fundo. Gozar de sua amizade e carinho então é a glória! Sempre digo a ele e vou repetir: sou sua fã de carteirinha, da fila do gargarejo, meu primo/amigo amado. 

Faltavam pelos menos umas duas horas para raiar o dia quando ele se levantou com todo o cuidado para não despertar a mulher, que dormia tranquila ao lado.

Teve a cautela de não acender nenhuma luz. Conhecia bem a casa e por ela se movimentava como um gato, ou um gatuno.

Sorrateiro, saiu para o quintal e desceu aos cômodos transformados numa espécie de porão das velhas casas, desde quando os abrigos antinucleares que todos eram obrigados a manter tornaram-se desnecessários.

Não mais havia risco de guerras, tampouco existiam países, estados, raças, moedas, línguas, fronteiras. O Conselho de Sábios governava a todos e a tudo agora, desde a grande unificação.

Tinha consciência de que era terminantemente proibido o que fazia. Não mais se falava em crime, mas em “inadaptação comunal”“conduta desconforme” e outros eufemismos, contudo as punições eram rigorosas. Podia ficar longo tempo banido, longe da família, submetendo-se ao processo de recondicionamento.

Num canto dos aposentos havia um antigo cofre que pertencera ao seu avô e que ele dizia guardar como recordação. Um trambolho, segundo a mulher. Ninguém se interessava por aquela geringonça obsoleta, nem mesmo se sabia direito como funcionava.

Mas ele sabia. Girou o pequeno disco para a esquerda e para a direita, detendo-se rapidamente em algumas das ranhuras numeradas, e por fim puxou a tranca. A pesada porta se abriu com um estalido.

No fundo de uma das divisões, camuflado entre diversos objetos inocentes e sem serventia, estava aquilo que buscava.

Sentou-se no chão, abriu a caixa que o acondicionava, retirou o veludo que o recobria e o aproximou dos olhos. Tinha uma pequena lanterna, mas nem era preciso vê-lo na claridade. Sabia perfeitamente como era. A capa azul com o título em letras douradas. A lombada. As páginas que repassava uma a uma. Lembrava-se do que se achava escrito em todas elas, menos na última, que jamais leu exatamente para não chegar ao fim, para não terminar nunca.

No dia anterior, seu filho mais novo, que era muito diferente dos outros (atualmente cada indivíduo, homem ou mulher, só podia procriar uma única vez), curioso, perspicaz, investigativo, sempre o acompanhava para todo o lado e tinha muita afinidade com ele, havia lhe perguntado de chofre:

― Pai, o que é um livro?

Ele se arrepiou, pegou o menino e o levou para um canto.

― Quem te falou sobre isso? Não pergunte nunca mais a respeito disso. A ninguém, entendeu? Isso é uma coisa que existiu há muito tempo, não serve pra nada, é uma droga que viciava as pessoas, deixava elas enlouquecidas, inquietas, vendo e imaginando coisas. Por isso foi proibida pelo Conselho de Sábios.

Assustado, o menino prometeu que nunca mais voltaria ao assunto.

A palavra “livro” fora apagada do vocabulário e todos os livros tinham sido confiscados e destruídos. Tudo o que era preciso saber estava no ciberespaço, e podia ser acessado por todos a qualquer momento e de qualquer lugar.

Continuou a folhear, apalpar, cheirar o livro, apertá-lo contra o peito durante algum tempo, embora soubesse que aquilo era contra as leis e a humanidade.

Ele era um homem de bem, e não podia continuar mantendo aquela coisa, mas não conseguia se livrar dela, das lembranças dos outros tantos livros que havia lido desde criança, da biblioteca do seu pai.

Mais dia, menos dia, porém, teria de acabar com isso. Cronologicamente já estava muito velho, embora ainda fosse vigoroso e ativo conforme os padrões vigentes, graças a medicamentos antioxidantes, reposição hormonal, alimentação controlada e outras maravilhas desenvolvidas. Tinha a mesma disposição e aparência dos seus trinta anos.

Quando percebeu pela claraboia que a escuridão da noite começava a se dissipar, apressou-se a recolocar o livro no cofre, que em seguida trancou.

Enquanto subia as escadas para retornar ao interior da casa, um pensamento e uma esperança assomaram, acelerando-lhe o coração.

Quem sabe o menino…

Prece Celta

 

Fiquei encantada com este texto. Vontade de me sentar frente ao bosque e recitá-lo lentamente, palavra por palavra.

Que o caminho venha ao teu encontro.
Que o vento sempre sopre às tuas costas e a chuva caia suave sobre teus campos.
E até que voltemos a nos encontrar, que Deus te sustente suavemente na palma de sua mão.

Que vivas todo o tempo que quiseres e que sempre possas viver plenamente.

Lembra sempre de esquecer as coisas que te entristeceram, porém nunca esqueças de lembrar aquelas que te alegraram.

Lembra sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos, porém nunca esqueças de lembrar aqueles que permaneceram fiéis.
Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram, porém nunca esqueças de lembrar as bênçãos de cada dia.
Que o dia mais triste de teu futuro não seja pior que o dia mais feliz de teu passado.
Que o teto nunca caia sobre ti e que os amigos reunidos debaixo dele nunca partam.
Que sempre tenhas palavras cálidas em um anoitecer frio, uma lua cheia em uma noite escura, e que o caminho sempre se abra à tua porta.
Que vivas cem anos, com um ano extra para arrepender-te.
Que o Senhor te guarde em sua mão, e não aperte muito seus dedos.
Que teus vizinhos te respeitem, os problemas te abandonem, os anjos te protejam, e o céu te acolha.
E que a sorte das colinas Celtas te abrace.
Que as bênçãos de São Patrício te contemplem.
Que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas muros contra o vento, um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo, risadas que consolem aqueles a quem amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
Que Deus esteja contigo e te abençõe, que vejas os filhos de teus filhos, que o infortúnio te seja breve e te deixe rico de bênçãos.
Que não conheças nada além da felicidade, deste dia em diante.

Soneto sessentano

Já contei de meu primo/amigo Antonio Carlos (Babu para os íntimos) que admiro pela poesia que contém na alma e derrama em lindos e sentidos poemas. Não perco nenhuma de suas postagens em seu blog milionário de escritos os mais preciosos. Aqui fica o registro de seu soneto que me empolgou nesse dia coberto de lembranças as mais queridas. E o reconhecimento de que o que é brilhante nunca envelhece e nem se olvida.

Aos sessenta, que maldizem de melhor idade,

o homem se senta na cadeira de balanço

e se abalança a fazer um balanço:

o futuro caducou.

Restam-lhe o passado e o presente,

sobretudo aquele de quando somava

menos quarenta, que se não se engana

dá vinte (o que é quase um acinte).

Aos vinte, o homem não se senta

anda por todo lado e fala pelos cotovelos,

sem tempo de ser ouvinte.

Aos sessenta, quando é todo ouvidos,

se sente meio surdo de tudo

e lhe zumbem todos os olvidos.